Os 4 grandes desafios da família

Na vida íntima familiar, o mais importante é o afeto e os limites estabelecidos

Ellen Sarmento - 13/07/2018 10h34

Queridos leitores do Pleno.News, quero compartilhar em nosso post de hoje um assunto de extrema relevância: o desafio de uma família em aceitar que nem todos os conflitos serão resolvidos. E mais, como ela pode conviver com as diferenças entre seus membros. Esses são grandes desafios.

É importante mencionar, antes de iniciarmos nosso assunto, que a formatação da família, nos últimos tempos, mudou significativamente. E, junto com essas transformações, os desafios para se manter boas relações também aumentaram. Isso, sem mencionar os obstáculos que a vida contemporânea traz ao cenário cotidiano dos lares, por exemplo, as longas jornadas de trabalho, um grande período de ausência entre pais e filhos.

Hoje quero que pensemos nesses desafios, para que vocês, leitores, viabilizem soluções possíveis à sua realidade.

1. TOLERAR AS DIFERENÇAS
Na vida íntima das famílias é importante maior investimento em afeto, tempo e atenção. A divisão doméstica de tarefas decorre de uma negociação permanente. Justamente por isso, o que manterá essa nova família unida é o empenho de todos os envolvidos.

Respeitar o tempo de cada um, as diferenças de comportamento, de pensamento e de ação; tolerar as diferenças e os defeitos é o diferencial para que essa família consiga funcionar de forma efetiva, positiva e melhor, sempre!

2. PENSAR MUITO ANTES DE TOMAR DECISÕES
E quando os sentimentos se transformam em indiferença ou ódio? Esse é um problema da família moderna em oposição à família dos tempos antigos. Em outros tempos, o casamento não estava ligado exclusivamente ao amor e as pessoas não se divorciavam.

Hoje, a busca pela felicidade, pelo amor fácil (muitas vezes), faz com que as pessoas não pensem muito e sintam apenas. Se o amor acabou, pronto, acabou a relação também. Mas, a saída é muita ponderação antes de tomar decisões.

É preciso que tenhamos sabedoria para escolher se permaneceremos com os nossos ou recomeçaremos uma nova jornada. Seja qual for a decisão, ela não traz de volta o amor original. Uma vez que a gente consiga de fato assumir a opção feita, então todos nós ganhamos e também perdemos. O que nem sempre é fácil.

3. ENSINAR O RESPEITO
Na maioria das famílias, a palavra solidariedade foi abandonada. Estamos imergidos em uma sociedade individualista. Cada um só pensa no seu prazer, no seu interesse e na sua liberdade. A solução é educar o filho para pensar no outro também.

Mas para repensar esses valores é necessário a convivência: fazer uma refeição em família, assistir à televisão juntos ou sentar para bater um papo para ver que conceitos a criança está adquirindo. Se os pais não criam um espaço de diálogo, amanhã não saberão nada a respeito do filho.

4. COMBATER A VIOLÊNCIA
Temos que considerar o desafio de educar num mundo tão violento como este em que vivemos. Temos presenciado um grande avanço tecnológico acompanhado de um retrocesso nas relações pessoais. A violência está voltando à idade da pedra. O combate à violência começa em casa, com um diálogo franco entre pais e filhos – e muito limite.

Gerar e dar limites é fundamental. A juventude está meio solta, ficando cada vez mais agressiva e cada vez mais cedo. A violência existe porque há tráfico, pobreza, exploração do trabalho infantil e, sobretudo, desigualdade. Se todos tiverem acesso a oportunidades, ou seja, a tudo que é capaz de transformar a vida de uma pessoa, viveremos num mundo menos violento.

Desejo que esse conhecimento venha ser multiplicado e replicado, para que famílias venham a ser alcançadas por essas informações.

Ellen Sarmento é psicóloga clínica e palestrante, com formação em terapia sistêmica familiar pela Núcleo Pesquisas. Especializada em atendimento familiar e de casal. Capacitada pelo Ackerman Institute, em Nova York, e pelo Instituto Bowen, em Washington.