Opinião Ellen Sarmento: 5 frases que os pais não devem jamais falar aos filhos

Os relacionamentos são nutridos por palavras e ações geradas em nosso interior, eles refletem a forma como nos colocamos em nosso convívio com a família

Ellen Sarmento - 20/04/2018 10h06

Queridos leitores do Pleno.News, venho hoje compartilhar, neste post, dicas que considero preciosas para o relacionamento entre pais e filhos. A minha intenção é que seus filhos possam crescer e ser emocionalmente saudáveis.

Não sei se você sabe, mas os relacionamentos são nutridos por palavras e ações geradas em nosso interior. Essas palavras e ações refletem a forma como nos colocamos em nosso convívio com a família e com os de fora dela. Então, vamos descobrir quais são as cinco frases que, a partir de hoje, vocês pais irão riscar da mente e do coração; e não dizer jamais aos seus filhos:

1. Seu irmão não é como você. Ele é melhor!
É muito importante que nunca, em tempo algum, geremos comparações. Por favor, não compare seu filho com outras crianças ou até mesmo com o próprio irmão. É fundamental compreendermos que cada criança tem uma personalidade e um jeito de sentir e agir distintos. Então, elas não devem ser, em hipótese alguma, comparadas. Comparações abalam a construção de uma autoimagem positiva e, consequentemente, a autoconfiança da criança pode vir a ser quebrada.

2. Seu brinquedo não é importante
Quando estamos naqueles dias difíceis e chegamos em casa e o filho pede o último lançamento de um jogo de videogame ou uma boneca e, o orçamento não lhe permite adquirir o brinquedo naquele momento, qual é a sua reação? O que você diz? Que o que ele deseja não é importante?

De acordo com a autora do livro Kids and money (Crianças e dinheiro), Jeyne Pearl, a frase: “Nós não temos dinheiro para isso”, transmite uma mensagem muito assustadora para as crianças. Elas entendem que os pais não estão ou têm o controle sobre suas finanças. Sendo assim, as crianças também podem vir a indagar porque os pais compraram algo muito caro, se não tinham dinheiro. Jeyne Pearl orienta e explica que o ideal é falar: “Nós não vamos comprar isso agora, porque estamos guardando dinheiro para coisas mais importantes”. O motivo para isso é que é fundamental desenvolver uma consciência na criança sobre a hora certa de gastar e sobre como administrar e guardar dinheiro são coisas importantes.

3. Engole o choro!
É essencial que os pais não falem ao filho para parar de chorar e nem minimize a expressão da dor dele. Porque as emoções e o equilíbrio dele dependerão de como você, pai e mãe, o conduzirá.

O ideal é conversar com seu filho e tentar entender o motivo do choro para, em seguida, ensinar como ele deve lidar com a situação. E, também, procurar fazer com que a criança expresse seu sentimento. Pois, em algumas situações, faltam palavras para a criança expressar a dor que sente, e o choro é a maneira de extravasar os sentimentos. Ordenar que a criança pare de chorar irá apenas reprimi-la e não a ajudará a lidar com suas emoções corretamente.

4. Só papai e mamãe podem ajudar você
O maior desafio é dar tarefas aos filhos e os mesmos virem a desempenhá-la. Se você presenciar seu filho tendo dificuldades em alguma tarefa, o ideal é não ajudar. Se você o auxiliar muito rápido, isso pode afetar a independência dele e a capacidade de vir a se adaptar a novos desafios e descobrir novas habilidades.

A verdade é que se essas habilidades não forem desenvolvidas, seu filho sempre estará esperando que outros façam por ele. Podemos dar suporte e apoio estimulando o desenvolvimento de sua máxima capacidade, mas nunca executar toda a tarefa para ele. Se atenha somente a ser um facilitador e não um executor.

5. Não foi nada. Deixe para lá!
Certamente um dos primeiros instintos dos pais ao ver o filho que se machucou é afirmar que, ele está bem, não foi nada, foi só um arranhão. Mas o não reconhecimento de que ele não está bem, será muito negativo para o desenvolvimento emocional e pessoal dele. E fará apenas que a criança se sinta pior e reforçará que ela tenha o sentimento de não possuir importância alguma.

Então, demonstre que você se importa com os sentimentos do seu filho. Não tente afirmar como ele está se sentindo dizendo que ele está bem, quando ele não está se sentindo bem. Demonstre afeto, carinho e atenção sempre que a criança precisar. Um beijinho para “curar o machucado” também pode ajudar. Um abraço é uma ferramentas poderos que gera acolhimento e segurança, e afetará positivamente o desenvolvimento da vida emocional e psíquica da criança.

Meu desejo é que essa informação possa ser multiplicada, e que essas dicas possam ser ferramenta de restauração na vida de muitas famílias.

Ellen Sarmento é psicóloga clínica e palestrante, com formação em terapia sistêmica familiar pela Núcleo Pesquisas. Especializada em atendimento familiar e de casal. Capacitada pelo Ackerman Institute, em Nova York, e pelo Instituto Bowen, em Washington.