Comunicação x interrupção

A comunicação passa a ter interrupções quando se torna incongruente gerando uma interrupção

Ellen Sarmento - 01/12/2017 09h15

Olá, queridos leitores!!!

Desejo compartilhar no post, desta semana, algo que está presente em nosso dia a dia e que se soubermos como manusear será uma grande ferramenta em nossos relacionamentos interpessoais e familiares.

Inicialmente, a comunicação entre os membros de uma família é considerada, por diferentes autores, como um dos fatores mais decisivos na determinação da saúde emocional de qualquer grupo familiar. Como exemplo, quero citar Bateson que coloca que a comunicação se processa a partir de pelo menos dois níveis básicos.

O primeiro, seria o que ele classifica de relato; e o segundo, seria o nível de ordem ou de comando.

Temos, então, ambos os níveis presentes em qualquer comunicação. O nível do relato é aquele que transmite o conteúdo da mensagem, enquanto o nível de comando irá revelar como essa comunicação deve ser entendida e atendida. É a metacomunicação.

Agora, a comunicação passa a ter interrupções quando se torna incongruente gerando uma interrupção.

Como exemplo, saliento o seguinte: Quando, numa mensagem, os níveis de relato e de ordem não se reforçam mutuamente; ou seja, um nega ou contraria o outro; ou, ainda, quando diferentes mensagens são emitidas e estão relacionadas a um determinado tema e se contradizem mutuamente.

É importante destacar que nas relações afetivas essa é uma das tarefas mais difíceis: ser claro. De modo geral, os relacionamentos envolvem sempre projeções, distorções, racionalizações, falas, escutas e leituras equivocadas e mal interpretadas. É muito habitual falarem que falamos o que não falamos, dizerem que fizemos o que nunca fizemos e, não raro também, ouvirmos o que não falaram e ver o que nunca na realidade existiu. Isso tudo porque não escutamos com os ouvidos, não enxergamos e nem percebemos com os olhos e não nos comunicamos apenas através das expressões verbais. Lemos e interpretamos os fatos, a fala, o olhar e o comportamento do outro, a partir das lentes de nossas experiências, memórias e feridas. Isso porque, na verdade, somos grandes intérpretes da nossa própria experiência de vida. Pois “não vemos as situações e a realidade como, de fato, elas são, mas como enxergamos por nossa própria lente, que por muitas vezes pode estar embaçada ou quebrada”.

Espero que este post nos ajude um pouco a refletirmos como anda as nossas lentes e de como podemos limpá-las para que possamos nos relacionar, cada vez mais, de forma saudável.

Desejo também que esse conhecimento possa ser multiplicado!

 

Ellen Sarmento é psicóloga clínica e palestrante, com formação em terapia sistêmica familiar pela Núcleo Pesquisas. Especializada em atendimento familiar e de casal. Capacitada pelo Ackerman Institute, em Nova York, e pelo Instituto Bowen, em Washington.