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Itacoatiara (AM) e o abandono do INSS: Quando a distância tira o direito do povo

O INSS deveria ser um instrumento de proteção social. Deveria garantir o mínimo para quem não tem nada

Elisângela Coelho - 13/05/2025 09h46

Cidade de Itacoatiara, no Amazonas Foto: Prefeitura de Itacoatiara/Divulgação

Itacoatiara é uma das maiores cidades do Amazonas, com mais de 100 mil habitantes. Apesar de sua importância, a cidade não conta com atendimento presencial para perícias médicas do INSS. Quando alguém precisa realizar uma simples avaliação para obter um benefício, é obrigado a viajar até Manaus, a capital do estado, fazendo uma jornada de até seis horas por estrada.

O problema é que a maioria dessas pessoas vive em situação de vulnerabilidade. Não têm veículo próprio. Mal conseguem pagar o básico para viver, quem dirá bancar passagem, alimentação e hospedagem para fazer uma perícia. Muitos adoecem, perdem a capacidade de trabalhar e, mesmo assim, ficam sem nenhum amparo.

Se isso acontece em Itacoatiara, imagine em municípios ainda menores, como Japurá, Anamã e Itapiranga, que possuem menos de 10 mil habitantes. Nessas localidades, o acesso aos serviços do INSS é quase inexistente. O resultado é o abandono. Um ciclo cruel de pobreza, doença e falta de perspectiva.

O INSS deveria ser um instrumento de proteção social. Deveria garantir o mínimo para quem não tem nada. Mas o que se vê no Amazonas é o contrário: uma ausência gritante do Estado, que impõe obstáculos quase intransponíveis para o exercício de um direito básico.

Como advogada atuante em todo o território nacional, não me conformo em ver as injustiça que o INSS comete com quem mais precisa e já é hora de dar um basta! A população não pode mais se calar.

É urgente que o governo federal olhe para essa realidade. O povo do Norte do país não pode continuar sendo tratado como invisível. É preciso garantir o acesso às perícias médicas no interior, seja com unidades presenciais, seja com equipes itinerantes.

Direito não é favor. É dever do Estado. E quem vive no interior do Amazonas não pode mais esperar.

Dra. Elisângela Coelho foi trabalhadora rural, doméstica, vendedora e hoje atua como advogada especialista em direito previdenciário.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.
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