Tenha a pessoa amada em três dias

As cidades brasileiras estão sempre cheias de cartazes desse tipo

Elaine Cruz - 21/06/2018 10h19

Tenha a pessoa amada em três dias Foto: Pixabay

As cidades brasileiras estão sempre cheias de cartazes do tipo “tenha a pessoa amada em três dias”, cujo anúncio é sempre associado a práticas chamadas religiosas. Tenho convicção de que é propaganda enganosa, além de uma grande cilada para prender pessoas ao mundo espiritual maligno.

Entretanto, o que também me incomoda é a expressão pessoa amada. Que amor é esse que anula o livre arbítrio do outro, prendendo-o a uma situação indesejada? Que destrói lares, tirando conjugues de casamentos para que estes fiquem “enfeitiçados” por uma pessoa mesquinha, que só quer realizar o seu capricho?

Me preocupo com quem destrói lares, sempre procurando pessoas casadas para se relacionar. Desde quando amar alguém significa escravizar ou tomar posse do outro, que já fez a opção por outra pessoa a quem decidiu amar? Qual a vantagem de ter alguém que não lhe ama, estando com você só por feitiço? E como a chamada pessoa amada vai ser feliz ao lado de alguém manipulador e egoísta?

Uma paixão doentia pode fazer com que maldades sejam feitas, mas paixão não é amor, e devemos fugir dela. Anular o outro, suas escolhas e vontades, não são atos de amor. Capricho, egoísmo, manipulação, controle, imposição e desrespeito não se associam ao amor.

Precisamos sempre repensar o amor. O amor é divino, portanto correto, legítimo e respeitoso. O amor é racional, fruto de escolhas e decisões cognitivas, sendo o afeto voluntário, e a entrega consciente.

Elaine Cruz é pastora no Ministério Fronteira, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; Psicóloga clínica e escolar, especializada em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade; Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense; palestrante e conferencista internacional, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior; Mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA); e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, com oito livros publicados.