Resignificando o Natal

Ressignificar é o processo mental de retornar os fatos e eventos aos seus significados originais

Elaine Cruz - 21/12/2017 08h00

A palavra Natal, que significa nascimento, dificilmente é lembrada pelo seu significado. Ela nos remete a festas, presentes, e a um velhinho que no início se vestia de verde; mas hoje se veste de vermelho e branco, numa jogada de marketing genial da Coca-Cola no começo do século passado.

O interessante é que crianças associam o Natal ao Papai Noel e às rabanadas. E as pessoas enfeitam suas casas com árvores e luzes, muitas vezes colocando algodão para lembrar a neve que não temos no Brasil. Assim, vamos nos utilizando de signos, de símbolos, que vão tirando o seu verdadeiro significado, esvaziando a sua significância.

Na vida fazemos a mesma coisa. Há pessoas que se feriram tanto, que a palavra amizade, para elas, remete à traição. Outras foram maltratadas e abusadas por seus pais, de forma que Deus, como o Pai Celeste, passa a ser significado de maldade e abuso. Isto sem citar o uso da mídia, que quando trabalha bem, consegue substituir a marca pelo produto. Assim sendo, lâmina de barbear é chamada de Gillette, absorvente de Modess, e palha de aço de Bombril.

Uma das coisas mais difíceis na vida é ressignificar. Esse é um processo mental de retornar os fatos e eventos aos seus significados originais. Num tempo em que a palavra amor é dissimulada, em que o número de neonazistas não para de crescer, em que coisas óbvias como gênero sexual são questionadas, ou que o significado de Evangelho tem deixado de ser bíblico, precisamos parar e analisar nossas significações.

A despeito de Jesus não ter nascido no dia 25 de Dezembro, esta é a data escolhida para comemorarmos seu nascimento. Jesus sempre existiu, desde antes da fundação do mundo, mas nasceu e viveu como homem, sendo 100% Deus e 100% humano, habitando aqui na Terra por 33 anos, exercendo seu ministério nos seus últimos 3 anos de vida. Ele morreu sem pecado, num ato extremo de amor, trazendo redenção e vida eterna a toda Humanidade, pois ressuscitou e assim permanece até hoje: Vivo.

Seu nascimento como homem é o que comemoramos no Natal. Ninguém poderia pagar o preço pelos nossos pecados. Portanto, seu nascimento, sua morte e sua ressurreição são nossos maiores presentes. Sim, o Natal é Dele, mas nós é que ganhamos o presente, a graça, a dádiva da salvação, quando reconhecemos seu ato redentor por nós.

Reúna sua família com muita alegria, rabanadas, presentes e abraços. Mas jamais deixe o aniversariante de fora, porque então, não será Natal.

Elaine Cruz é pastora no Ministério Fronteira, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; Psicóloga clínica e escolar, especializada em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade; Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense; palestrante e conferencista internacional, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior; Mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA); e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, com oito livros publicados.