Opinião Elaine Cruz: Banho de chuva

Você sabia que o relatório do trabalho, a louça da pia, e a faxina na casa podem esperar?

Elaine Cruz - 05/04/2018 09h30

É comum ouvir as pessoas dizerem que os dias atuais parecem mais curtos, que o tempo tem passado mais rápido. As vinte e quatro horas do dia não são mais suficientes para colocarmos em ordem as mesas do trabalho, ou para finalizarmos com sucesso as nossas tarefas da casa ou pessoais.

Como as pessoas faziam no tempo do ferro a vapor? Como conseguiam lidar com a casa colocando as roupas para “quarar” ao sol (você sabe o que é isto?), como davam conta de engomar ternos e camisas, pegar o bonde que andava devagar, e ainda viver sem celular?

A tecnologia nos ajuda, as informações estão ao alcance de um clique, metrôs encurtam o tempo de trajetos, eletrodomésticos nos ajudam a ganhar tempo. Mas, ainda assim, o tempo nos falta. Os filhos hoje não vão só à escola: há cursos de inglês, dança e música; aulas de futebol e ginástica olímpica, além do reforço escolar e do curso preparatório para uma escola que vai cobrar mais, custar mais, e exigir mais reforço escolar. Nos tornamos “mãetorista” entre as jornadas de trabalho, e os pais ainda precisam arrumar tempo para barbeiros, cabeleireiros, supermercado, e para fazerem uma superfaxina na casa e refeições deliciosas para a família.

Lembro que minha mãe, que sempre trabalhou fora durante a minha infância, cumpria com prazer suas tarefas do lar. É verdade que naquela época eu e minhas irmãs ajudávamos, muitas vezes colocando uma cadeira na pia para alcançarmos a louça do jantar a ser lavada. Mas sempre que o tempo fechava no meio do dia (eu nasci em São Paulo – o que acontecia com frequência), e começava chover, a gente largava tudo, e íamos para o quintal tomar banho de chuva. E tudo poderia esperar até a chuva passar…

Eventualmente, na correria do dia a dia, eu digo a meu marido que preciso tomar um banho de chuva. Ele entende o código: se for possível, deixamos um pouco nossa atividade ministerial e profissional, e paramos para tomar um chocolate quente no inverno, dar um mergulho rápido na piscina ou na praia no verão, ou simplesmente assistirmos um filme bobinho pra relaxar.

O relatório do trabalho, a louça da pia, e a faxina na casa podem esperar. Que tal tomar, pelo menos uma ou duas vezes por semana, um banho de chuva?

Elaine Cruz é pastora no Ministério Fronteira, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; Psicóloga clínica e escolar, especializada em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade; Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense; palestrante e conferencista internacional, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior; Mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA); e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, com oito livros publicados.