O casamento real

Como em qualquer outro casamento, quando a cerimônia acaba, a vida segue

Elaine Cruz - 24/05/2018 09h33

Príncipe Harry e Meghan Markle se casam em Windsor Foto: EFE/Neil Hall

Estima-se que mais de dois bilhões de pessoas tenham assistido o enlace matrimonial entre o príncipe Harry e a americana Meghan. Incontáveis jornais, sites e plataformas digitais alimentaram matérias sobre o bolo de sabugueiro e limões sicilianos, o vestido Givenchy de meio milhão de reais, o lindo coral gospel, o sermão eloquente do controverso bispo americano Michael Curry, as trocas dos votos, e os charmosos e extravagantes fascinators.

No Brasil, a monarquia foi extinta no dia 15 de Novembro de 1889, quando foi proclamada a República, mas o universo da realeza sempre nos interessa: remete-nos à infância, cheia de contos de fadas, castelos, e finais felizes em filmes de capas e espadas.

É impressionante como nossas impressões da infância são fortes. Que menina já não se imaginou em um castelo, já não se emocionou com os príncipes das histórias infantis? Que garoto não brincou de espada, mesmo utilizando pedaços de pau? Quantos de nós já cavalgamos em cabos de vassoura? É por esta razão que assistir a um cortejo de carruagens, com tiaras de brilhantes, com rainhas, princesas e príncipes da vida real, nos faz rever o imaginário, aproximando nossas imagens internas do mundo real.

Na verdade, o que se produziu foi exatamente isto: cenários muito bem planejados, comportamentos bem ajustados, personagens bem ensaiados para nos fazer suspirar e manter a chama imaginativa dos contos e sonhos infantis. Histórias reais, acontecendo à vista de todos, preparadas nos fazer acreditar que a magia continua dentro das paredes dos palácios ainda edificados, que visitamos em nossas viagens de férias, para reviver a realeza imaginada ao longo da nossa vivência infantil.

Como em qualquer outro casamento, quando a cerimônia acaba, a vida segue, com os noivos, e agora cônjuges, seguindo sua rotina cotidiana, e com todos os expectadores voltando à sua realidade. Afinal, as contas chegam, os filhos precisam ser educados, novas empreitadas nos esperam. Mas seguimos emocionados com as nossas lembranças das brincadeiras infantis – estas sim, extremamente reais.

Elaine Cruz é pastora no Ministério Fronteira, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; Psicóloga clínica e escolar, especializada em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade; Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense; palestrante e conferencista internacional, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior; Mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA); e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, com oito livros publicados.