Medos

Se o medo gerar fobias e pânicos busque ajuda profissional

Elaine Cruz - 23/11/2017 10h48

Lembro da minha filha, Pamela, aos 8 anos, começar um poema com a frase “o medo me cobre como se fosse um cobertor”. Ela listava seus medos infantis: de ficar sozinha, dos amigos se afastarem dela, do seu irmão não gostar mais dela, dela se perder e não conseguir voltar pra casa.

Todos temos medos. Medo de não casar, de não conseguir engravidar, do desemprego, de doenças, da solidão, viuvez, violência, ou do futuro. Alguns medos estão presentes em momentos específicos da vida, podem variar de uma pessoa para outra, mas eles estão lá.

Dias atrás, eu e meu marido, estávamos em uma estação de trem na Europa, quando vimos um grupo enorme de pessoas correndo. Nós e as outras pessoas da estação seguimos os corredores, pois o primeiro pensamento foi ser um atentado terrorista. Mas descobrimos mais tarde que era só um grupo de jovens em excursão atrasados para pegar um trem. Respiramos aliviados, porém com o coração batendo mais acelerado pelo susto. Sim, atualmente terrorismo e violência assusta a todos.

A grande questão a se observar é o quanto eles, os medos, são próprios. Por exemplo, quem já tem filhos não precisa ter medo de ser infértil, da mesma forma que quem age corretamente não precisa ter medo da Lei. A questão começa a ficar mais séria quando o medo paralisa, causa fobias e tranca as pessoas em casa ou em si mesmas. Ter receio da violência nos dias atuais é admissível, mas ter crises de pânico ao assistir um telejornal, ou perder o emprego por não conseguir sair de casa é uma questão mais séria.

Ouvir boas notícias antes de dormir, repensar nossos horários e trajetos para voltar pra casa, e acompanhar nossos filhos ao final do dia são atitudes importantes na atualidade brasileira. Mas se o medo gerar fobias e pânicos, a ponto de desestruturar suas relações e mobilidade, busque ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra. Trate seu pânico, volte a sair, a abraçar carreiras e pessoas sem medo de se machucar. Volte a acreditar no afeto, a descobrir outros que não machucam, ferem ou maltratam. Se sua confiança foi traída, sempre haverá pessoas confiáveis.

Medos, receios e preocupações cotidianas precisam ser pesados e limitados. Eles estarão presentes, mas não podem nos dominar. Nós damos os limites, e os superamos, usando bom senso e domínio próprio. Só assim viveremos o melhor da vida, especialmente quando sustentados e protegidos pela mão divina.

 

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil.