Isolamento mental

Existe em nós uma luta constante para dar sentido ao nosso próprio mundo de experiências

Elaine Cruz - 24/10/2019 12h32

Cada vez mais nos assustamos com o fato de uma pessoa não sentir as emoções esperadas por seus atos. Um ladrão é capaz de roubar sem sentir culpa por seu ato de violar o direito do outro. Um indivíduo é capaz de caluniar uma pessoa com quem convive, sem pensar nas consequências de seu ato sobre a vida, o casamento ou a carreira de quem feriu.

Nosso pensamento parece capaz, em certas circunstâncias, de manter, lado a lado, dois conceitos logicamente incompatíveis, sem tomarmos consciências de suas gritantes divergências. Uma pessoa pode se declarar boa, e ser extremamente invejosa; uma outra pode defender princípios familiares, mas ser adúltera ou ter uma mente depravada sexualmente.

Existe em nós uma luta constante para dar sentido ao nosso próprio mundo de experiências, uma procura de explicações para nossos fenômenos internos, nosso comportamento e sentimento. Assim, de modo a explicar muitos dos nossos atos, podemos criar mecanismos de defesa que isolem racionalizações ou sentimentos. Isolamos conteúdos mentais, e criamos um eu incoerente, desmembrado, onde as ações divergem da teoria.

Precisamos buscar o eu integrado, que pensa e analisa o que fala ou faz no cotidiano. Devemos primar, cada vez mais, pela coerência entre nossas ações e emoções, entre a nossa prática e o nosso discurso.

Elaine Cruz é pastora no Ministério Fronteira, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; Psicóloga clínica e escolar, especializada em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade; Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense; palestrante e conferencista internacional, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior; Mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA); e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, com oito livros publicados.

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