Encontros de parentela

Sorria, abrace bem forte quem você ama, não economize nos elogios, aceite os limites e as manias dos outros por poucas horas, e seja feliz!

Elaine Cruz - 14/12/2017 10h00

Com a chegada do Natal, bem como de outras datas, como Páscoa, Réveillon, Dia das Mães, aniversários etc., surgem as já esperadas reuniões familiares. Muitos filmes de Hollywood já emplacaram gordas bilheterias sobre esse tema, pois é um tema universal: rever a parentela que muitas vezes só tem em comum o sobrenome.

Manter uma família unida, pais, filhos e irmãos, com seus membros ímpares e únicos – por mais que a educação seja a mesma-, já é uma tarefa difícil. Quando chegam os agregados – noras, genros, netos, sobrinhos – a dificuldade aumenta. E quando outros núcleos familiares se juntam – tios, primos, avós, etc. -, a parentela pode se estranhar, pois conceitos, valores e comportamentos serão expostos em juízo.

Em primeiro lugar, é importante enfatizar que quando falamos em família, estamos nos referindo a uma casa, geralmente com casal e filhos, ou com um só adulto e seus filhos. Uma família, que para viver o cotidiano precisa de regras, rotinas, e uma divisão de tarefas bem estabelecida. Sim, cada família elabora, a partir da convivência e das conversas, valores, conceitos e visões de mundo peculiares.

Infelizmente, no Brasil temos o hábito de chamar de família a parentela maior, a junção de várias famílias. E chamamos de reunião de família, o que seria uma reunião de famílias (no plural), onde congregamos vários outros modelos e práticas familiares. Além disso, se entre um simples casal já há um processo politico (a arte de conviver), quando juntamos nossas famílias a outras famílias, a convivência e a política se misturam.

Assim, surgem as curiosidades e disputas: “Quem engordou mais?”. “Qual o bacalhau mais gostoso?”. “Quem está ganhando mais?”. “Quem é o novo namorado da prima?”. “Quem morreu?”. “Quem nasceu?”. “Por que o novo corte de cabelo?”. “Por que não vieram no último encontro de famílias?”.

Algumas observações importantes: cuide bem da sua família. As correções e disciplinas precisam ser vivenciadas e explicitadas em casa, pois na casa dos outros só vamos colher a educação formatada no lar. Combine em casa, com cônjuges e filhos, o que será ou não dito a todos os membros da parentela. E preparem-se para os eventuais chatos e fofoqueiros, fazendo cara de paisagem, e desviando-se de conversas que levem a discussões e atritos.

Nossos filhos precisam aprender a respeitar os mais velhos, devem conhecer os primos, necessitam conviver com tios amorosos, e outros nem tanto. Parentela nos ensina a perceber de onde viemos, e que estamos relacionados com mais pessoas do que imaginamos. Portanto, não falte aos eventos. Vá com alegria, aproveite as “prosas e os causos”, sorria mais e aproveite a grande parentela enquanto pode.

Não é momento para disputas, conversas difíceis ou para modificar pessoas. Lembre-se: é Natal (Réveillon, aniversário, Páscoa…). Portanto, sorria, abrace bem forte quem você ama, não economize nos elogios, aceite os limites e as manias dos outros por poucas horas, e seja feliz!

Elaine Cruz é pastora no Ministério Fronteira, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; Psicóloga clínica e escolar, especializada em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade; Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense; palestrante e conferencista internacional, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior; Mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA); e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, com oito livros publicados.