Coluna Elaine Cruz: Carnaval, pão e circo – considerações sobre essa festa popular

“Pão e circo”, diziam os romanos, era o que o povo precisava para ficar calmo e não reclamar de seus governantes. O problema é que no Brasil só temos o circo

Elaine Cruz - 08/02/2018 09h15

Seria ingênuo achar que no Réveillon todos os percalços do ano anterior serão deixados pra trás. Ou que a partir do dia do nosso aniversário seremos pessoas recomeçando um novo tempo. Ou que durante três ou quatro dias de folia ensandecida, como no carnaval, todos os problemas serão esquecidos.

É sabido que o ser humano precisa comemorar a vida: nascimentos, aniversários, casamentos, viagens, eventos, datas especiais. Faz bem à alma reviver, olhar fotos da infância, rever um vídeo de casamento, ir a um teatro ou evento popular, comer algodão doce, passear na praça ou shopping, fazer um FaceTime e matar as saudades de alguém distante – práticas saudáveis que marcam nossa existência e servem como um elo entre as nossas várias idades e fases de vida, e das quais nos orgulhamos e com as quais convivemos, sem perder nossa essência ou sabotar nossos valores.

Não é isto que acontece no carnaval. Casais e crianças, no aconchego do lar familiar, assistem a desfiles e bailes com nudez e imoralidade. Homens casados tiram férias conjugais e se comportam como ficantes. Mães e esposas abandonam casas e filhos, abrindo mão de pudores e vergonha, e se misturam a outras em eventos onde são protagonistas de tudo o que gostariam de evitar para seus próprios filhos.

Um festa onde milhares de camisinhas são distribuídas, em que se consome altas doses de álcool e drogas, e que vende uma imagem de um Brasil permissivo e libertino, não pode ser popular. Eu faço parte do povo brasileiro, e não me sinto representada por essa festa dita popular. Ao contrário, me envergonho como mulher, mãe, esposa, psicóloga, educadora e pastora.

“Pão e circo”, diziam os romanos, era o que o povo precisava para ficar calmo e não reclamar contra seus governantes. O problema é que no Brasil só temos o circo – de horrores, pois depois que a festa passa, ela deixa uma imagem negativa do Brasil, uma série de casamentos desfeitos, abortos encomendados, e uma nação acéfala que vai passar o resto do ano esperando o pão decente de cada dia.

Elaine Cruz é pastora no Ministério Fronteira, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; Psicóloga clínica e escolar, especializada em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade; Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense; palestrante e conferencista internacional, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior; Mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA); e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, com oito livros publicados.