Adultos que fazem manha?

A vida nos fecha portas, as pessoas nem sempre aceitam nossas sugestões; é preciso saber lidar com nossas emoções

Elaine Cruz - 02/08/2018 09h42

O ser humano é manhoso por natureza. A criança nasce supondo ser o centro do universo, pois a casa converge para dar atenção a ela, e o seio materno é quase uma expansão do seu próprio corpo. O bebê aprende rápido a chantagear, e sabe chorar sem derramar uma lágrima sequer, negociando colo e atenção.

Todos nós já assistimos a crianças se jogando no meio da rua ao receberem um não. Outras gritam como se estivessem sendo espancadas quando sua vontade não é realizada pelos pais. Em ambos os casos, disciplina rígida e limites é a única solução: quando a criança entender que sua manha não compra os resultados esperados, ela para.

O problema é que muitos crescem e continuam manhosos: gritam quando não recebem o que desejam, batem a porta do quarto quando irritados, xingam quando contrariados, e ficam emburrados esperando o outro mudar de ideia e atender às suas solicitações.

Adultos fazendo chantagem emocional? Fazendo cara feia para protestar porque a vida não lhes deu o que gostariam? Cônjuges saindo do quarto e dormindo na sala porque o outro não cede a um capricho seu? Esses são crianças imaturas, mal-educadas, indisciplinadas e absolutamente fora da realidade adulta!

A vida nos fecha portas, as pessoas nem sempre aceitam nossas sugestões, e nossos pontos de vista nem sempre são os melhores. Cabe-nos, portanto, aceitar os fatos, melhorar nossa linha de raciocínio, acatar ordens alheias e fazer escolhas acertadas e maduras, condizentes com a nossa idade cronológica atual.

Elaine Cruz é pastora no Ministério Fronteira, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro; Psicóloga clínica e escolar, especializada em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade; Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense; palestrante e conferencista internacional, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior; Mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA); e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, com oito livros publicados.