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A divisão dos crentes radicais

Precisamos conservar três virtudes em nossa personalidade

Edvaldo Oliveira - 19/09/2021 08h00

A divisão dos crentes radicais Foto: Pixabay

É com muita tristeza que vimos, nesses últimos anos, a Igreja de Jesus experimentar os estragos provocados pela divisão. O radicalismo tem feito com que a Igreja perca a sua unidade.

Uma vez Jesus orou ao Pai para que nos fizesse ser um com Ele, pois, assim, o mundo conheceria que Deus lhe enviou Seu Filho. A noiva de Cristo, porém, que deveria ser um exemplo de unidade, passou a ser uma igreja dividida.

Já tínhamos as nossas diferenças doutrinárias, que variam de acordo com a denominação, e, de certa forma, estávamos aprendendo a aceitar essas diferenças, considerando que o que nos une é maior do que aquilo que nos separa; afinal, Cristo é o nosso Senhor e o nosso Salvador. Contudo, por causa da vaidade, do orgulho e do egoísmo, essa verdade se tornou secundária para nós e nos tornamos um povo dividido, com profunda dificuldade de aceitar e de caminhar com aqueles que pensam diferente de nós.

Em Efésios 4:2-6 (NVI), Paulo fala da importância de nos esforçarmos para mantermos a unidade do Espírito:

Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos.

O extremismo atingiu profundamente o meio cristão. Radicais de um lado e de outro se digladiam o tempo todo, por qualquer motivo, e podemos perceber isso sobretudo nas redes sociais. Então, quero lembrar que todo extremo é perigoso.

Salomão escreveu, em Eclesiastes 7:16, que, se quiséssemos ser extremamente sábios e justos, destruiríamos a nós mesmos. O texto, na Bíblia A Mensagem, diz assim: “É bom não radicalizar e ter equilíbrio. Quem teme a Deus evita extremos, porque vê os dois lados da moeda”.

E, para que sejamos assim, coerentes e equilibrados, devemos observar as recomendações do apóstolo Paulo e, como Igreja de Cristo, cultivar/conservar três virtudes em nossa personalidade: a humildade, a gentileza e a paciência.

HUMILDADE
A primeira delas é a humildade. Quem se tornou radical demais é porque perdeu a humildade, pensa que sabe mais do que os outros e que não tem mais nada a aprender. Ninguém é tão sábio que não possa crescer mais no conhecimento. Mas, para isto, precisamos ter um coração ensinável e permitir-nos ser moldados por Deus.

Tem pessoas há tanto tempo no evangelho que a palavra não fala mais ao coração delas. Esse tipo de pessoas continua frequentando as reuniões. Elas se assentam nas cadeiras dos templos e aparentemente se submetem ao ensino que é ministrado, mas o seu coração não se curva mais ao que o Senhor quer falar a elas. O culto se tornou um momento apenas ritual, ou até mesmo social, onde elas cumprem um papel perante a sociedade e fingem que estão sendo ministradas, quando, na verdade, o seu coração já está cauterizado. Elas possuem uma ideia fixa, são inflexíveis, não mudam e desconsideram a opinião dos outros.

O contrário da humildade é a soberba, que está relacionada ao orgulho. “Deus rejeita os soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4.6 NAA).

GENTILEZA
A segunda característica que nos faz conservar a unidade é a gentileza, que Paulo chama de docilidade (ou amabilidade). É certo que não vamos concordar em tudo, mas até mesmo na discordância devemos ser educados uns com os outros. Não podemos destratar as pessoas que pensam diferente de nós, que têm outro ponto de vista.

Eu vi crentes serem escorraçados, desprezados e abandonados porque não compactuavam com uma ideia que a maioria estava apoiando. Não podemos permitir que a defesa dos princípios de Deus, que tanto prezamos, nos torne seres humanos mal educados e grosseiros. A melhor maneira de evidenciarmos o amor de Deus é por meio das nossas atitudes. Não basta falarmos de Deus e pregarmos Seus princípios, temos que ter uma atitude que deixe claro a grande obra que o Senhor fez em nossa vida.

PACIÊNCIA
A terceira virtude que devemos ter para permanecermos unidos como Igreja é a paciência. Enquanto tivermos que lidar com pessoas, teremos que ser pacientes, ou seja, durante toda a nossa vida – e mais ainda nesse momento, em que todo assunto abordado vira uma discussão, por mais simples que seja.

Tem algumas discussões que nos irritam muito e, por terem se tornado tão constantes, nós até deixamos de nos importar. É porque perdemos a paciência. Mas não podemos desanimar. O Senhor é quem nos faz pacientes. Ele é quem nos dá capacidade de suportar uns aos outros em amor, como diz o texto bíblico. E a palavra “suportar” aqui não se refere a aturar, como muitos acham. Suportar é literalmente dar suporte, ajudar a se reerguer.

Muitas vezes, teremos que ser pacientes e ajudar quem está prostrado a se levantar, mesmo que essa pessoa não perceba que está caída em seus argumentos e continue agindo como se fosse a dona da razão.

Todo esforço é válido para conservarmos a unidade do Espírito. Que o Senhor possa nos fazer refletir sobre nossas atitudes e quebrantar o nosso coração, para que possamos reconhecer nossas falhas e nos tornarmos pessoas melhores, que promovam a paz e a unidade e que exalem o bom perfume de Cristo por onde passar!

Edvaldo Oliveira é coordenador e idealizador do Ministério Minuto com Deus. É formado em Teologia Ministerial pelo Seminário Cristo para as Nações e em Administração de Empresas. Mora em Belo Horizonte e congrega na Igreja Batista Videira.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.
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