Querem me prejudicar na empresa porque sou bom

Quando um grupo já formado se sente extremamente ameaçado por conta de um membro novo e competente na empresa

Como Lidar - 06/06/2019 12h00

“Estou em um emprego novo há três meses e já fui o destaque quatro vezes. Isso gerou um mal estar entre alguns colegas de trabalho que passaram a me excluir das programações da empresa e a me tratar mal. Parece que virou uma competição e sinto que querem me prejudicar. Como lidar com isso?”

Rodrigo Augusto, Curitiba, Paraná

RESPOSTA:

Estamos em uma geração de extrema competitividade. E muitas empresas usam métodos que estimulam esta “luta” entre os funcionários. Freud, em “O mal-estar na civilização” (1929), diz que pela possibilidade de desejar e pela inscrição na cultura, o sujeito se vê constantemente em luta para manter-se de forma menos dolorosa possível nesta árdua administração – entre o desejável e o possível, entre a possibilidade de satisfação e a necessidade da renúncia, entre o eu e os outros.

É aí que entra a questão geradora de conflitos. A pessoa tem o perfil exigido pela empresa e se dedica facilmente às tarefas que demandam. Consegue cumprir prazos e é promovida. Bem, e seus colegas? Mudaram de comportamento desde que este funcionário recebeu mérito e foi exaltado. O que fazer?

Apesar da competitividade, é de extrema importância o saber lidar bem com esta ascensão na empresa. Pode até ser que uma mudança de cargo impeça que aquela amizade de trabalho seja alimentada durante o dia-a-dia. Mas é possível manter os vínculos em uma hora de almoço em comum. O social na empresa deve ser algo valorizado e estimulado para que as diferenças possam ser bem vistas.

É fato que um grupo já formado se sente extremamente ameaçado por conta de um membro novo. E se este novo membro se destaca, a situação piora. Afinal, quem já estava ali não alcançou o reconhecimento antes. Isso pode gerar baixa auto-estima no grupo.

Você pode fazer o processo inverso, que não teve tempo suficiente para ser realizado. Não deu tempo de ser conhecido pelo grupo, de fazer um círculo de amizades. O próprio gerente do grupo precisa trabalhar esta inserção. Penso que somente o funcionário, por ele mesmo, terá dificuldades de fazer este caminho sozinho. Deve haver um preparo para as novas inserções na empresa, o que nem sempre acontece por causa da falta de tempo e de investimento do RH.

Eu diria que as relações humanas, na atualidade, se caracterizam por ideais narcísicos que se expressam pela impulsividade na busca do prazer egoísta e imediato e pela intolerância das diferenças. Então, a atuação dos psicanalistas também se faz necessária no âmbito empresarial.

Daniely de Almeida Gonçalves é psicóloga e psicanalista formada pela UFRJ.

COMO LIDAR tem o propósito de servir como ferramenta de esclarecimento e apoio aos leitores apresentando perguntas e respostas, sobre variados temas.

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