Como posso ganhar mais dinheiro? Enriquecer?

Leitor tem economizado sem ver retorno. Pede ajuda e consultor financeiro dá dicas

Como Lidar - 31/07/2018 12h07

“Sou uma pessoa correta e honesta. Não engano nem me aproveito de ninguém. Mas… infelizmente, não consigo ter mais dinheiro. Sou um poupador, mas acho que não sei administrar ou não sei aproveitar oportunidades. Deixo de gastar, mas nunca tenho dinheiro e acho que não sirvo para enriquecer.

Marcos Gomes, Nilópolis, Rio de Janeiro”.

RESPOSTA:
A dificuldade do Marcos é a mesma de muitos brasileiros: temos a sensação de que fazemos tudo correto, trabalhamos, ficamos horas longe de casa todos os dias para trazer nosso suado salário no início do mês… mas o coitado não consegue nem chegar ao final dele. Essa dificuldade em superar os desafios e ter uma sensação efetiva de crescimento e prosperidade tem a ver com a falta de Educação Financeira do brasileiro em geral.

Noventa e cinco por cento da população brasileira, gente como nós, mesmo após anos de estudos na escola e faculdade chegará ao fim da vida acadêmica sem ter tido uma aula sequer de como lidar com o dinheiro que entrará nas nossas vidas após conseguirmos o tão sonhado primeiro emprego.

A falta desse preparo se reflete no fato de que 60% das famílias brasileiras, hoje, pagam algum tipo de juros a bancos e financeiras. Estes por sua vez, não veem crise: seus balanços estão sempre apontando cada vez mais lucros num dos melhores lugares do mundo para aumentá-los cada vez mais.

É um jogo perverso, como bem define Ben Zruel em seu livro Eu Vou te Ensinar a Ser Rico. O autor define muito bem que o brasileiro é obrigado a entrar num jogo sem conhecer as regras que, na sua maioria, são ditadas pelo seu oponente, sendo assim, a todo momento o juiz lhe apita uma falta ou marca gol do adversário. Dessa forma, a frustração e a raiva passam a nos dominar já que a sensação é a de que é impossível vencer.

O resultado desse jogo é que a maioria dos brasileiros considera que é errado enriquecer. E daí se cria um outro problema: a repulsão ao sucesso financeiro. Esse sentimento nocivo também encontra respaldo devido ao fato de que durante boa parte do processo de formação da nossa sociedade, dada uma série de fatores (políticos, sociais e religiosos), nós fomos incorporando uma cultura na qual se acredita que ter dinheiro é ruim; ser rico é pecado; e que só é possível ganhar dinheiro passando outras pessoas para trás.

Brasileiro acha que ser rico é errado, mas na prática, todos desejam o contrário: basta ver as filas que se formam nas portas das casas lotéricas toda vez que a Mega Sena fica com o prêmio acumulado. Não é uma grande hipocrisia? Esse pensamento dominante, nocivo e equivocado, é um – dentre vários – que devemos exterminar da nossa sociedade se quisermos começar a nos tornar, de fato, um país em desenvolvimento.

O dinheiro é uma ótima ferramenta de colaboração com o desenvolvimento humano. Quando bem empregado, possibilita a realização de sonhos, como conhecer o mundo, comprar uma casa confortável, cuidar da saúde, ajudar ao próximo, prover a família etc. Podemos dizer que o dinheiro é um facilitador.

Eu acredito que ser rico vai muito além de ter uma quantidade “X” de dígitos em sua conta. Ser rico é ser livre para criar e seguir seu próprio caminho. E a liberdade financeira, pode sim ser alcançada por qualquer pessoa.

Liberdade financeira significa ao longo da minha vida produtiva eu reservar parte dos meus ganhos para constituir reservas de segurança imediata e de acumulação para a realização de objetivos de curto, médio e longo prazo. Por exemplo:

  • Significa constituir a minha reserva financeira para comprar meu imóvel próprio em vez de financiá-lo pagando juros de financiamento ao banco;
  • Significa juntar o meu próprio dinheiro para viver de renda quando decidir parar de trabalhar; em vez de contar com a previdência oficial do governo ou com a ajuda da família.

Sim, a verdadeira riqueza está associada à liberdade. A liberdade de escolhas. De decidir o seu futuro sem depender da “sorte do sucesso”, da opinião ou da boa vontade de outras pessoas.

E como é possível alcançar essa liberdade?

Bem, não dá pra ensinar tudo de uma vez… Mas para você começar, aqui vão algumas dicas de ouro:

  1. Faça um controle de entradas e saídas de dinheiro;
  2. Gaste menos do que ganha;
  3. Aplique essa diferença, mas invista corretamente. Nem tão conservador a ponto de perder todo mês para a taxa básica de juros, na Caderneta de Poupança; nem tão arriscado quanto colocando seu dinheiro em Ações ou nas novas e badaladas Criptomoedas. Existem inúmeras opções de investimento entre esses dois extremos, e sempre há a mais adequada a cada montante e projeto de vida;
  4. Se estiver pagando dívidas, renegocie-as. Pare de pagar juros rotativos (no cartão de crédito e no cheque especial) e consolide todas numa operação só, a um juro menor, e de modo que a parcela mensal possa caber no seu orçamento, e você possa obedecer a regra número 2.

É possível ter uma vida próspera e tranquila. Basta ter o mínimo de força de vontade, sonhar, e agir!

Um abraço!

Anderson de Alcantara é profissional do mercado financeiro há 29 anos, atua como Consultor Financeiro na Sukses Consulting Advisory e é Professor Titular do Ministério Videira – Educação Financeira à luz da Bíblia.

COMO LIDAR tem o propósito de servir como ferramenta de esclarecimento e apoio aos leitores apresentando perguntas e respostas, sobre variados temas.

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