Como lidar com o uso abusivo do álcool na escola

A prevenção não se faz falando diretamente sobre a droga, mas, na verdade, se faz oferecendo uma vida rica de estímulos

Como Lidar - 15/01/2019 10h03


“Tenho presenciado um número cada vez maior de adolescentes que chegam embriagados na escola, o que tem prejudicado muito seu rendimento escolar e provocado situações bem difíceis de lidar. Tentamos uma solução para este problema com os pais, mas não tivemos sucesso algum. Até onde a escola deve se responsabilizar por esta situação e, como devemos lidar com ela, como profissionais da educação?”

Cristiane da Silva Moreira, Queimadas, PB

Querida Cristiane, respondendo à sua pergunta, é preciso reforçar que, tudo o que acontece dentro dos muros da escola, tem a ver com a educação. O uso de álcool entre adolescentes tem sido cada vez maior e a idade de consumo cada vez menor. Sendo assim, o risco de dependência aumenta e, consequentemente, os acidentes, violência sexual, brigas e morte. Existe ai uma deslealdade entre as belas imagens produzidas pela mídia e a tarja sóbria e obrigatória do governo que informa sobre os danos causados pelo uso abusivo dessa substância. Mitos culturais e símbolos utilizados nas propagandas sobre o álcool influenciam o consumo, principalmente quando falamos de adolescentes, que são tipicamente sugestionáveis e possuem uma mente ainda em desenvolvimento.

Embora sejam grandes as consequências, o adolescente não consegue percebê-las como algo a se preocupar. O uso do álcool nessa fase da vida expõe o indivíduo a um maior risco de dependência química na idade adulta e está associado a uma série de prejuízos neuropsicológicos, como na memória, comportamento emocional, aprendizado de regras e tarefas focalizadas.

Prevenção tem a ver com a escola, uma vez que a Saúde é um assunto transversal nos PCNs. Já o efeito do uso do álcool tem a ver com a saúde, e o tráfico tem a ver com o Estado. Tudo se concretiza nas diferentes atividades escolares, em todos os espaços da escola e do entorno escolar, por meio da construção gradual de uma dinâmica que permita a vivência de situações favoráveis ao fortalecimento de compromissos para a busca da saúde. Por isso, a educação para a Saúde desenvolve-se, com igual importância, em situações de convivência que se criam e no atendimento oportuno de interesses dos alunos. A escola também pode promover a organização de campanhas, seminários, trabalhos artísticos, mobilizando diversas classes, divulgando informações, ou utilizando materiais educativos produzidos pelos serviços de saúde. Assim, os alunos compreenderão melhor a temática saúde e formularão proposições com base em questões reais. Com isso, a educação para a saúde não correrá o risco de se transformar em um projeto vazio, distante da realidade doa alunos.

Embora os professores não se sintam responsáveis pela prática da saúde no ambiente escolar, não podem negar que há uma crescente necessidade de se adotar estratégias educacionais em sua promoção. Tanto o professor como a escola são potencializadores de fatores de proteção para intervir ou detectar precocemente a utilização do álcool e outras drogas. Na fragilidade da família e da escola se abre o precedente da vulnerabilidade do jovem e da criança. A escola é o lugar legítimo para a prevenção multidisciplinar e interdisciplinar, pois é o espaço para a reflexão crítica na busca da transformação.

Quando se pensa na escola como lugar de prevenção, isso requer pensar em atividades multidisciplinares (ações conjuntas de diferentes áreas do conhecimento científico), discussões de caráter antropológico, sociológico, psicológico, jurídico, sanitário, etc. O objetivo em desenvolver estratégias no âmbito escolar não é apenas diminuir a porcentagem de potenciais bêbados, pois se o efeito direto do álcool é estimular, entorpecer os jovens para aquilo que a vida oferece, jovens bem informados têm maior condição de escolher – uma função primordial da escola em seu processo desafiador de transformar nossos alunos de esponjas em filtros. A prevenção não se faz falando diretamente sobre a droga, mas, na verdade, se faz oferecendo uma vida rica de estímulos.

PARA REFLETIR E AGIR
Pensando na estratégia educativa delineada pelas diretrizes educacionais dos pais sobre a promoção da saúde, existe realmente um trabalho direcionado a propiciar a devida informação no que se refere ao uso e abuso do álcool e outras drogas no âmbito escolar? E nas séries iniciais?

Maria Arlete da Silva Rêgo Dias é pós-graduada em Gestão Educacional com Ênfase em Administração, Orientação e Inspeção Escolar; pedagoga e teóloga licenciada em Sociologia. Atuou como voluntária no Amazonas por 15 anos e, atualmente, trabalha como professora coordenadora em uma escola na periferia do Estado de São Paulo.

COMO LIDAR tem o propósito de servir como ferramenta de esclarecimento e apoio aos leitores apresentando perguntas e respostas, sobre variados temas.

Se você tem alguma questão ou dúvida que precise da explicação de um profissional, envie para redacao@plenonews.com.br


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