Como lidar com o luto na infância

Quanto maior o nível de vinculação, maior o tempo para assimilação da perda

Como Lidar - 08/01/2019 14h42


“Minha mãe faleceu há pouco tempo e minha filha mais velha era muito apegada a ela. Tenho notado que ela está muito cabisbaixa e não sente vontade de fazer nada, nem comer. Estou muito preocupada com a situação. Como faço pra ajudar minha filha nesse momento?”

Claudia Ribeiro, Manaus.

Olá, Cláudia. O luto é um processo essencial para que possamos nos reconstruir e reorganizar diante do rompimento de um vínculo. É um desafio emocional, psíquico e cognitivo com o qual todos temos que lidar. Esse desafio inclui transformação e ressignificação da relação com o que foi perdido. Reações à perda de algo significativo muitas vezes incluem impedimento e/ou desinteresse temporário na realização das atividades diárias do cotidiano, isolamento social, pensamentos intrusivos e sentimentos de saudade e tristeza, que variam e evoluem ao longo do tempo.

Apesar do luto ser um processo universal, cada indivíduo possui uma forma particular de reagir. Este processo varia de acordo com a faixa etária em que o indivíduo se encontra, o tipo de vinculação existente e as causas e circunstâncias da perda. Varia também de acordo com sua estrutura emocional, vivências e capacidade para lidar com a ausência da pessoa que partiu. É fundamental que esse processo de enlutamento seja vivenciado até que ele seja elaborado, para que a dor da ausência não fique reprimida. Tal processo se dá de forma lenta e gradual, com duração variável para cada pessoa.

Os primeiros seis meses, assim como o primeiro ano após a perda, são bem difíceis, pois a pessoa enlutada ainda está assimilando a ausência e as mudanças ocorridas no cotidiano. Agora, esta dificuldade dependerá do grau de vinculação afetiva que havia entre a pessoa enlutada e a pessoa perdida. Quanto maior o nível de vinculação, maior o tempo para assimilação da perda.

É importante permitir que a criança participe das homenagens e despedidas se assim ela desejar. Por mais duro que seja, deixar que ela ajude na escolha das coroas fúnebres pode fazer grande diferença. Para as crianças e adolescentes que estão longe do ente querido, é possível buscar sites que façam a entrega dos arranjos (existem lojas que permitem a entrega de uma coroa de flores de um estado para outro). Pedir a ajuda da criança para escolher as flores que a pessoa mais gostava contribuirá para esse processo de despedida.

A pessoa enlutada precisa de tempo e validação do que está sentindo. O mais importante é que ela possa expressar seus sentimentos, pois isso ajuda no processo de luto. Pergunte se a ausência da avó está sendo muito difícil para ela e deixe claro que vocês (família) estão ali para ouvi-la sempre que precisar. Deixe ela saber que ficar triste é absolutamente normal.

Nazaré Jacobucci é mestranda em Cuidados Paliativos na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Psicóloga Especialista em Luto e Psicologia Hospitalar e escreve no blog Perdas e Luto.

COMO LIDAR tem o propósito de servir como ferramenta de esclarecimento e apoio aos leitores apresentando perguntas e respostas, sobre variados temas.

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