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Inverno: tempo de recolhimento, voltar-se para dentro e aguardar o novo ciclo

A paleta de cores do inverno, vem ancorada na cor do ano Classic Blue

Bia Sartori - 03/07/2020 09h00

Em um país tão grande, pensar no inverno é um desafio. Em algumas regiões, o frio é extremo. Em outras, é tempo de chuva e a temperatura só fica um pouco mais amena. Mas, a natureza é sábia, e nos convida a observar seu movimento e entender que sua perfeição em ciclos deveria fazer parte do nosso movimento também.

Em alguns lugares, já iniciou o movimento de flexibilização das orientações sobre o #ficaemcasa! Opiniões estão polarizadas sobre a questão do distanciamento social imposto por questões sanitárias, os prós e contras das transformações advindas da pandemia do COVID-19 dão assunto para a mídia. Independentemente de qualquer opinião ou realidade, o inverno nos convida ao recolhimento.

Conforme o frio vem chegando, sentimos a necessidade de aquecimento. Lembranças de uma conversa aquecida pelo calor da fogueira ao ar livre, ou aquela lareira crepitante. As comidas quentes também fazem parte das recordações. Aquecedores de ambiente, das mais variadas formas e potências logo são trazidos para nossos espaços e utilizados para nosso conforto.

A própria natureza se recolhe, como em um movimento de contenção de energia e do vigor. É como se a natureza fizesse um movimento contrário ao crescimento visível, mas dentro dela está contida a maior concentração de energia e vigor possível, se preparando para o tempo de exuberância que está por vir.

 

 

Os dias ficam mais curtos e as noites mais longas. Nossa programação se volta para ambientes internos. A iluminação vibrante dos dias de verão dá lugar para uma iluminação mais suave, o sol mais ameno. Quando a noite vem, a luz das velas traz aproximação e aconchego.

E não é exatamente isso que, vez por outra, precisamos? Aconchego? Olhar para nossa intimidade, tanto com as pessoas que convivemos, mas conosco? Refletir, meditar sobre nossa vida, os rumos que estamos seguindo, as histórias que estamos escrevendo. Sermos mais gentis conosco e com nossa essência?

 

Os especialistas em tendências, pesquisam pelo mundo as demandas e anseios da humanidade, que em algumas áreas, são traduzidas em cores repletas de significados. Da mesma forma como a paisagem do inverno recebe novas cores, também somos estimulados a usar outras cores na paisagem que podemos intervir: nossos ambientes e roupas.

A paleta de cores do inverno, vem ancorada na cor do ano Classic Blue, com sua influência no bem-estar e interconexão com a essência, incutindo calma, confiança e estabilidade. Neste inverno, entraram algumas cores: o amarelo Green Sheen que estimula o otimismo, a rebeldia e traz um toque de audácia. O laranja radiante Amberglow, intensificando a autoconfiança e a expressão criativa. O Sandstone lembrando a terra, rústica e campestre. O Peach Nougat quente como um abraço acolhedor. O Rose Tan suave, nos levando a sensação de plenitude. O Margenta Purple, hipnótico, intrigante e encantador. O vermelho Samba, sensual, voluptuoso e com energia otimista. O Fired Brick forte, remetendo à resistência e ao peso. E o frio Ultramarine Green, inspirando autoconfiança e equilíbrio.

Foram eleitas mais quatro cores clássicas, que são a base de outras tantas combinações. O Almond Oil, um off white sutil e de bom gosto. O misterioso Blue Depths. O cinza Sleet, remetendo ao que é eterno e sólido e o Military Olive, robusto e fundamentalmente forte.

Nossa maneira de vestir muda. Nos expomos menos. Muita proteção! E nossa casa reflete exatamente essa mesma necessidade. Cobertores nas camas, mantas quentinhas espalhadas em qualquer cantinho de sofás e poltronas. Tapetes vem para proteger nossos passos do chão frio. Cortinas impedem e isolam o frio, mantendo o ambiente mais aquecido.

A natureza sofre transformações naturais. Nossos ambientes acompanham esse movimento. Sofrer transformações faz parte da natureza. E quando não acompanhamos esse movimento natural, parece que a vida cobra da humanidade. Um fato inquestionável, advindo das alterações que o mundo está sendo forçado a fazer com a pandemia.

Da mesma forma que observar a natureza se recolhendo para se transformar, nós precisamos de tempo de recolhimento para transformar, para a vida renascer. Ciclos acontecem naturalmente. Quando não estamos atentos a eles, acabamos nos diluindo nas rotinas automáticas e perdemos a visão dos nossos porquês e nossos propósitos, perdemos a intensidade de viver.

Independentemente da sua realidade, seja você em reclusão, ou na frente da batalha em trabalhos essenciais para a comunidade…. Com que cores você vai nutrir seu interior? Somos desafiados a pensar mais profundamente, aumentar nossa perspectiva. E como sempre me lembra meu mentor Ricardo Agreste, fazendo alusão aos questionamentos de Salomão: Hoje é tempo de que em sua vida?

Bia Sartori , designer de interiores formada pelo SENAC e pós-graduada pelo IPOG; personal organizer formada pela OZ!, pedagoga com especialização em Orientação Educacional pela PUCC.
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