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Criação, Adaptação e Transformação nos serviços de Arquitetura e Design de Interiores

Estamos trazendo para dentro de nossos escritórios uma forma híbrida de trabalhar, com base no virtual

Bia Sartori - 21/08/2020 09h00

Há cinco meses, quando as notícias sobre a pandemia do COVID-19 inundavam nossa mente, a primeira reação de muitos profissionais e clientes foi suspender todos os serviços, na medida do possível. Após algumas semanas, pouco a pouco, fomos retomando as atividades, desta vez de forma bem cautelosa e totalmente adaptada, exigindo competências em tecnologia de comunicação.

Tenho conversado com vários profissionais da área de Arquitetura e Design de Interiores, trocando experiências e ideias de caminhos que estão surgindo. Resolvi transcrever uma conversa com a Bárbara Baldo, arquiteta e design de interiores e Simone Prado, arquiteta. Elas são sócias no escritório Attractive Studio Arquitetura e minhas parceiras em alguns projetos. São de uma geração mais nova, em que o digital se fez presente desde o início do desenvolvimento profissional e tem contribuído muito com meu aprendizado continuado. O que poderia ter sido uma live, transformou-se em matéria!

 

Como acontece o processo de criação e a conexão com as ferramentas de tecnologias?

Nosso processo de criação começa já na primeira conversa com o cliente, onde eles descrevem suas necessidades e expectativas para o projeto. Através de um “briefing”, conseguimos conhecer melhor nosso cliente e isso nos possibilita descobrir alguns sonhos e desejos que ele nem percebe ter. Enviamos esse “briefing” como um arquivo editável, o que torna mais fácil os clientes responderem as perguntas.

A partir dessa coleta de dados inicial, além de nossas próprias referências pessoais e profissionais, buscamos inspiração em sites de decoração, redes sociais, livros, mostras de design e arquitetura, revistas nacionais e internacionais. Além de recorrer às nossas pastas pessoais de referências que alimentamos com imagens e fotos que vemos todos os dias nas redes sociais.

Os desenhos iniciam com esboços, muitas vezes diretamente no software 3D. Nele, conseguimos ilustrar todo o processo de criação do projeto, com volumes e espacialidade, definimos a circulação dos ambientes, que para nós, é um dos pilares mais importantes para um projeto bem resolvido.

Uma das coisas que acreditamos na hora de compor algum ambiente é buscar referência na natureza. Ela é uma verdadeira fonte de inspiração na composição das cores e aplicamos essas cores em nosso projeto através do software 3D.

Como vocês veem a realidade do mercado hoje, antecipando demandas do futuro no atendimento online?

Antes do isolamento social, os nossos clientes sempre vieram por indicação de clientes e amigos, mas percebemos que com essa nova realidade temos que apostar em nossas redes sociais. Estamos iniciando nas plataformas digitais, mas em pouco tempo tivemos resultados positivos. Conseguimos fechar projetos nos quais o cliente nos conheceu pelas redes sociais e até elaborar projetos realizados em outra cidade.

A tecnologia nos possibilita fazer projetos para qualquer parte do país e até em outros países. Antes, não acreditávamos ser possível trabalhar um projeto totalmente online, mas com a pandemia, assim como muitos outros segmentos, tivemos que nos adaptar. Mudamos nosso modo de pensar e as reuniões e apresentações foram todas realizadas remotamente, com muito sucesso.

O que ajudou e o que ainda falta para esse novo mercado que está se configurando?

Sem dúvida, as novas tecnologias de comunicação nos ajudam, possibilitando desde fazer reuniões diárias de projetos, quanto a apresentação e o contato “direito” com o cliente, seja para pedidos de orçamentos, sugestões de compras, recomendações e correções de detalhes.

Em nossos projetos, sempre apostamos em parcerias, mas com a pandemia, isso ficou ainda mais claro. Cada profissional possui experiência e conhecimento únicos, e o trabalho colaborativo só tem a acrescentar na qualidade do projeto e na execução da obra. Com esse novo mercado se configurando, uma network com parcerias e comunicação ágil eficiente vai ser a diferença para elaborar projetos online e executá-los de forma assertiva, com profissionais qualificados em qualquer região do país.

Fazer parceria com você, Bia Sartori, sempre foi motivo de confiança e aprendizado para nós, uma vez que você é reconhecida pelo seu talento e profissionalismo.

Como o consumidor dos serviços de Arquitetura e Design de Interiores está se comportando, em relação a quase dependência de um passado recente?

Os consumidores de hoje estão buscando mais projetos personalizados e menos “projetos da moda”, percebemos que os clientes querem projetos mais funcionais com a que atendam a todos os membros da família, até os pets. Sempre buscamos elaborar projetos que valorizam a convivência e que fazem sentido no dia a dia da família.

A busca por um lar saudável hoje em dia virou primeira necessidade para viver bem dentro de casa. Pode ser algo simples, como um hall de entrada que tenha algum elemento como sapateiras ou uma chapelaria para separar os sapatos e roupas usados fora de casa. Ou um projeto funcional de escritório para “home office”. A arquitetura precisa se adaptar a essa nova realidade.

Os consumidores de hoje estão buscando mais projetos personalizados e menos “projetos da moda”

Na apresentação, os projetos em 3D são muito importantes, pois, muitas vezes, os clientes não entendem desenhos técnicos. Nesse contexto, o software 3D praticamente coloca o cliente “dentro” do projeto possibilitando a participação ativa do cliente no processo de criação, empoderando e tornando-o parceiro nas tomadas de decisões.

Como é trabalhar em home office, quais são os desafios para que não diminua a produtividade?

Nós sempre apostamos em trabalho home office. Nesse sistema de trabalho conseguimos administrar nossos compromissos pessoais e estudos, uma vez que, trabalhando fora, nem sempre temos tempo para isso. Mas não é fácil. É preciso ter muito foco e disciplina para não cair a produtividade, além de ter um espaço ou ambiente destinado ao nosso trabalho.

Nossos projetos foram todos elaborados remotamente, com reuniões profissionais por videoconferência praticamente todos os dias, definimos as entregas esperadas para cada função e nos dividimos para visitas em obras e acompanhamento em lojas. Assim conseguimos manter uma rotina saudável de trabalho.

Já as reuniões com clientes sempre aconteceram no local do projeto ou em lugares públicos, cafeteria, por exemplo, o que foi e está sendo um desafio para nós durante o isolamento social. Tivemos que nos adaptar e aprender com essa nova forma de apresentar projetos por videoconferência ou definir questões importantes de projetos com clientes por aplicativo de mensagem. Além de aprender com as boas práticas de uma reunião remotamente, tivemos também que mudar o modo de apresentação do projeto, antes tínhamos o papel e lápis que podíamos rabiscar e esboçar novas ideias em cima dos desenhos durante as apresentações, porém remotamente isso é mais difícil de fazer. Trocamos a ponta do lápis pela setinha do mouse.

 

Hoje, o que era adaptação está se tornando uma forma de trabalhar produtiva, e cada segmento está descobrindo formas de continuar a contribuir, consolidando o que antes eram expectativas e projeções para um futuro distante. Estamos trazendo para dentro de nossos escritórios, uma forma híbrida de trabalhar, com base no virtual. O presencial somente no essencial.

Mais do que nunca, precisamos desenvolver novas formas de se relacionar e ser produtivos, ajustando expectativas! Cada profissional precisa manter o que importa! Nosso foco e atenção precisa ser realinhado com o propósito do desenvolvimento da nossa prestação de serviço, dentro de um contexto diferente. E viva a reinvenção!

Bia Sartori , designer de interiores formada pelo SENAC e pós-graduada pelo IPOG; personal organizer formada pela OZ!, pedagoga com especialização em Orientação Educacional pela PUCC.
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