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Um Brasil negativo na contabilidade global

O mau humor do brasileiro e a descrença na política atual têm várias explicações contábeis...

André Mello - 26/10/2018 09h38

O Credit Suisse divulgou o relatório mais acurado sobre a Riqueza Mundial (Global Wealth Report, 2018) e traduziu em números aquilo que os brasileiros sentem no bolso. Enquanto a riqueza das famílias em todo o planeta aumentou 4,6% de 2017 para 2018, o Brasil registrou uma queda de 13,2% – com um decréscimo de 19% no número de milionários no país. Em 2017, 190 mil pessoas tinham mais de U$ 1 milhão. Agora, são 154 mil milionários. O país perdeu 380 bilhões de dólares. Todos sentimos.

42 MILHÕES
O mundo tem 42 milhões de milionários (pessoas com mais de um milhão de dólares em patrimônio), de acordo com o relatório mais acurado do planeta: a análise financeira do Credit Suisse. Esse relatório contabiliza os dados de cinco bilhões de pessoas, na África, Ásia, China, Europa, Índia, América Latina e América do Norte. Por meio dele, também, ficamos cientes do fato alarmante de que 2,6 bilhões de pessoas não têm qualquer patrimônio contabilizado.

AMERICA FIRST
A América do Norte lidera o crescimento da riqueza mundial (com aumento de 6,5% e média de 391 mil dólares por adulto). A média da América do Norte já ultrapassou o dobro da média da Europa – embora o Velho Continente tenha crescido impressionantes 5,5%, de 2017 para 2018. A China vem logo atrás (com 4,6% de crescimento), mas a riqueza familiar chinesa é de 47 mil dólares, em média. Ou seja, os norte-americanos tem dez vezes mais riqueza do que a China.

BRASIL MAL NA FOTO
O Brasil tem, atualmente, 154 mil milionários (0,36 % do mundo). E ficou muito mal na foto. O patrimônio médio, por adulto, é de 16 mil dólares (60 mil reais). O país perdeu, em um ano, trezentos e oitenta bilhões de dólares em riqueza. Também está no Brasil o pior número, em relação às camadas médias, pois o país tem a maior parcela de pessoas com menos de dez mil dólares de patrimônio, em todo o mundo.

De acordo com o estudo do Credit Suisse, 74% dos brasileiros estão nessa faixa, contra 64% na média global. O Top 1% do Brasil concentra 43% da riqueza total do país.

E VAI PIORAR
Nos próximos cinco anos, a riqueza global aumentará 26% totalizando 399 trilhões de dólares. Os mercados emergentes (China e Índia, especialmente) serão responsáveis por 32% desse crescimento. A América Latina deve ser responsável pelo ingresso de 900 mil indivíduos classificados como ultra milionários (pessoas com mais 50 milhões de dólares em patrimônio).

Mas o Brasil caminha no sentido inverso. A depreciação cambial, a queda nos ativos financeiros e a desaceleração econômica, causaram uma queda de 36% , desde 2011, com tendência de recessão para os próximos anos. Em termos de riqueza acumulada, o Brasil registrou uma queda de 13,2% – com um decréscimo de 19% no número de milionários no país. Em 2017, 190 mil pessoas tinham mais de U$ 1 milhão. Agora, são 154 mil milionários. Somos 208 milhões, segundo o IBGE – então, apenas 0,077 dos brasileiros têm um patrimônio acima de um milhão de dólares (aproximadamente 4 milhões de reais).

Assim, segundo o Credit Suisse a retração dos ricos significa retração na riqueza de todo o país. A expectativa de crescimento do PIB não dá conta da queda, pois estima-se que um crescimento de 1,5% neste ano. É muito pouco para um país tão grande e com tanta gente. Ou seja, o mau humor do brasileiro, na política atual, tem várias explicações contábeis…

Você pode conferir o relatório do Credit Suisse, que é uma análise financeira de 5 bilhões de pessoas, em todo o mundo, clicando aqui.

André Mello é jornalista, tradutor, teólogo e cientista da religião.
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