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Tudo que você precisa saber sobre pesquisas e impugnações dos candidatos

Em um cenário incerto, analisamos as pesquisas, as tendências e os pedidos de impugnação

André Mello - 29/08/2018 14h36

Querido leitor, tudo o que você precisa saber sobre as pesquisas e as impugnações dos candidatos está aqui, resumido no Pleno.News.

Por exemplo, Poder360, Jota, Datafolha, Vox Populi, Ibope e CNT/MDA apresentam dados semelhantes, mas também resultados controversos. Em um cenário de incertezas e fragmentação política, analisamos as pesquisas, as tendências e os pedidos de impugnação de candidatos.

PESQUISA E PESQUISADORES
Você já percebeu, a essa altura da campanha presidencial, que há vários interesses fragmentados, representados nas campanhas, nos 13 candidatos e nos 35 partidos, em busca do voto brasileiro. Da mesma forma, o eleitor atento já ouviu falar de vários institutos de pesquisa.

Listamos acima Poder360, Jota, Datafolha, Vox Populi, Ibope e CNT/MDA. Como as pesquisas e os pesquisadores não são máquinas, é bom conhecer um pouco quem faz, para entender o resultado de cada pesquisa.

QUEM, QUANDO, COMO E ONDE
Todas as pesquisas são registradas no TSE e os dados que nos permitem criticá-las também estão lá. Como não há recursos para fazer uma pesquisa com todos os eleitores (o que seria uma prévia eleitoral), os institutos usam amostras – que é um grupo de eleitores – nas quais aplicam os questionários. E tentam reproduzir na amostra os dados da realidade maior.

A RECEITA DO BOLO
Por exemplo, 52,4% dos 146,4 milhões de eleitores brasileiros são mulheres. Portanto, uma amostra de 2.000 eleitores deverá ter 52,4% de mulheres (1.048 eleitoras). Definindo, em números menores, quem será perguntado, quando (períodos antes da eleição), como (voto espontâneo ou estimulado) e onde. O local e o período produzem as maiores diferenças nas amostras. A partir de dados do IBGE (Censo e PNAD) os institutos de pequisa sorteiam setores, em cidades de pequeno, médio e grande porte nas mesorregiões (recortes dentro de cada estado) previamente definidas. Assim, a proporção de moradores de capitais ou de cidades do interior também é considerada na formação da amostra.

E é bom sabermos que, quanto menor o grupo avaliado, maiores são as “margens de erro”. Contudo, a grande pergunta das pesquisas está nos “porquês”. Mais do que avaliar quantos são (o que gera manchetes de jornal), os estrategistas que contratam pesquisas querem avaliar comportamentos.

PORQUÊS
Aqui, nos “porquês”, entram as grandes controvérsias das pesquisas eleitorais. Algumas pesquisas são feitas para, depois de definir o voto “espontâneo”, verificar a possibilidade de mudança (grau de certeza) e as possíveis transferências de votos – pesquisas que dão manchetes de jornal.

Em outras pesquisas, verifica-se os pontos fracos e fortes de cada candidato – pesquisas que interessam aos estrategistas de marketing.

E há ainda, as pesquisas altamente direcionadas, que buscam qualificar e quantificar os eleitores e candidatos. Essas últimas são feitas, por vezes, com grupos de eleitores, em salas fechadas, nas quais os assessores dos candidatos verificam as reações dos eleitores aos programas de TV, Rádio e “debates”.

DEBATE E PESQUISA
No atual formato das eleições brasileiras, em que o voto é direto, podemos perceber que tanto nos debates, como nas entrevistas dos órgãos de comunicação, os candidatos e eleitores comportavam-se como um grupo de pesquisa. A amostra foi definida pelo número de internautas conectados (que foram acompanhados por Big Data, rastreamento no Twitter, Youtube e Google). Assim, mesmo com grande uso de robots (“usuários fantasmas”, “contratados” na internet para disseminar informações), os estrategistas puderam perceber e testar estratégias. Logo, nesse momento da campanha, os debates foram usados como “grupos de pesquisa”.

MARINA E ALCKMIN
A mudança de postura de Marina Silva e Geraldo Alckmin são exemplos claros dos resultados dos “grupos”.

No Roda Vida, na GloboNews e nos debates da Band e RedeTV, os candidatos testaram abordagens diferentes, tons de discurso e temas que, claramente, responderam a estratégias visíveis de marketing político.

Marina acentuou a estratégia e dirigiu o discurso em busca do voto feminino e Alckmin aumentou o tom a favor da reformas – incluindo a reforma política, tese que não seria esperada em função do arco de alianças construída em volta de sua campanha. Alckmin, também, vem sendo estimulado a buscar uma postura mais agressiva em relação aos concorrentes, mas não parece ser esse o seu estilo pessoal. Ambos, porém, deixaram de lado os eleitores que já estão decididos para tentarem alcançar o grande número de indecisos.

ESPONTÂNEA É MELHOR
Nesse momento da campanha, a pesquisa espontânea é mais fidedigna do que a estimulada. O site Jota explica em seu agregador de pesquisas qual a razão dessa confiabilidade maior. O eleitorado que responde nas pesquisas espontâneas cita o primeiro nome que vem à mente, com segurança. E a seguir, na pesquisa estimulada é forçado a responder, diante de uma lista, com várias circunstâncias – incluindo a presença do entrevistador – que podem influenciar na pesquisa.

No voto espontâneo e instantâneo, Lula tem 18%, Bolsonaro 10% e os demais não passam de 2%. Há um número enorme (20 a 30%, de indecisos e nulos). Sem dúvida, esse pode ser o quadro real do cenário eleitoral.

Tudo muda, na estimulada, por influência da própria mídia, dos debates, do círculo social e até do local (na rua, no telefone, em casa) em que o respondente está situado. Lula, por ser mais conhecido, dispara na pesquisa estimulada, diante de vários nomes. No formulário seguinte, sem o seu nome, há mais dispersão ainda maior dos votos estimulados.

PRESENCIAL OU TELEFÔNICA
Henrique Meirelles tem investido em telemarketing para disseminar que é candidato. Longe de ser uma estratégia vazia, seu alvo está no público que é “formador de opinião” através do telefone.

Bolsonaro e Marina investem em Internet, porque não terão grande tempo de rádio e televisão.

Alckmin, Haddad e Ciro apostam no início do horário eleitoral gratuito para pontuar.

Saber se uma pesquisa é presencial ou telefônica faz todo sentido nesse momento. Pesquisas presenciais, feitas em locais de grande circulação atingem mais trabalhadores e consumidores. Pesquisas telefônicas, em geral, não conseguem atingir aqueles eleitores que têm problemas econômicos (que deixam de atender o telefone) ou que estão em horário de trabalho. A diferença entre os dois tipos explica o resultado, nos institutos, da candidata Marina Silva. Ela sobe na pesquisa presencial e cai nas amostras por telefone. Lula e Bolsonaro permanecem em seus patamares, qualquer que seja o resultado das pesquisas.

COM LULA E SEM LULA
A inclusão do nome de Lula nas pesquisas é uma obrigatoriedade da Lei Eleitoral. Todos os institutos de pesquisa têm que fazer essa pergunta até que as candidaturas sejam confirmadas, ou impugnadas.

Como o registro terminou no dia 15 de agosto, treze candidaturas são obrigatórias em todas as pesquisas. Em ordem alfabética:

  • Alvaro Dias (Pode),
  • Cabo Daciolo (PATRI),
  • Ciro Gomes (PDT),
  • Geraldo Alckmin (PSDB),
  • Guilherme Boulos (PSOL),
  • Henrique Meirelles (MDB),
  • Jair Bolsonaro (PSL),
  • João Amoêdo (NOVO),
  • João Goulart Filho (PPL),
  • José Maria Eymael (PSDC),
  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
  • Marina Silva (REDE) e
  • Vera Lúcia (PSTU).

AGREGADOR DE PESQUISAS
O Agregador de Pesquisas do site Jota é o melhor instrumento para aferição das candidaturas e, sem dúvida, a melhor novidade desta eleição. Por meio desse instrumento, podemos verificar o seguinte cenário, considerando a soma das tendências em todas as pesquisas:

  • Jair Bolsonaro aparece com 21,8%, variando entre 20,9 % e 22,6%.
  • Marina Silva aparece com 14,4%, entre 13,6% e 15,2%.
  • Ciro Gomes aparece com 9,7%, podendo chegar a 8,9% ou 10,4%.
  • Geraldo Alckmin aparece com 8,7%, variando entre 7,8% e 9,3%.
  • Fernando Haddad tem 4%, indo de 3,3% a 4,7%.
  • Alvaro Dias tem 3,8%, indo de 3,1% a 4,4%.
  • Indecisos, nulos e brancos chegam a 30%, indo de 29,2% a 30,9%.

TROPA DE ELITE E TRANSFERÊNCIA
Bolsonaro e Lula estão isolados nas primeiras posições em várias pesquisas e, também, nas suas “tropas de elite”: apenas 29% dos eleitores de Bolsonaro e 18% dos eleitores de Lula estão propensos a mudar de inclinação política.

Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin têm altos percentuais de incerteza. Ou seja, cerca de 60% dos eleitores desses candidatos responderam que poderiam trocar de opinião.

O IBOPE traz, ainda, um detalhe sobre o eleitorado de Bolsonaro, na pesquisa espontânea: são homens, com ensino superior, renda alta, evangélicos, brancos, moradores das regiões Norte e Sul. Historicamente, é o grupo menos propenso a mudar de voto.

A transferência de votos, de Lula para outros candidatos, foi melhor aferida pelo MDA, que sugere pulverização: 17,3% para Haddad; 11,9% para Marina; 9,6% para Ciro; 6,2% para Bolsonaro.

PEDIDOS DE IMPUGNAÇÃO
Três presidenciáveis têm candidaturas contestadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Lula, Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro.

Lula tem 16 pedidos de impugnação e dificilmente será confirmado, pois, antes mesmo dos pedidos de impugnação, o TSE já havia sentenciado que Lula não poderá participar de debates e entrevistas. A procuradora geral eleitoral, Raquel Dodge, pediu ao TSE que acelere o andamento do processo de impugnação contra a candidatura do líder petista e o Ministério Público solicitou que o prazo para que o PT apresente suas contestações comece a contar a partir de 16 de agosto. A defesa do PT pretende ganhar tempo, para que o ex-presidente possa apontar o seu escolhido quando iniciar o horário eleitoral.

ALCKMIN e BOLSONARO NA MIRA
Além de Lula, duas candidaturas fortes também sofreram ataques. Os advogados de Henrique Meirelles apresentaram ação contra Geraldo Alckmin, alegando que seis partidos da coligação tucana não citaram, corretamente, nas atas das convenções, as legendas com as quais iriam se coligar. Provavelmente, o TSE deverá confirmar a candidatura do candidato do PSDB, mas deve reduzir seu tempo de Propaganda Eleitoral.

Geraldo Alckmin foi, também, denunciado à Justiça Eleitoral de São Paulo por falsidade ideológica eleitoral, sem risco de impugnação da candidatura, pois a investigação do Ministério Público de São Paulo deve ser remetida para instâncias judiciais interiores e a lei da ficha limpa só pode ser aplicada a partir de condenação em segunda instância.

A Procuradora Raquel Dodge e um advogado de Mangaratiba, no Rio de Janeiro, questionaram a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, alegando que ele é réu no STF por injúria e incentivo ao racismo. O autor da representação contra Bolsonaro, que se identifica em redes sociais como apoiador do candidato do PSDB, alegou que o STF decidiu, em 2017, que réus não poderiam ocupar a linha sucessória da Presidência. Raquel Dodge pediu ao STF a dispensa de testemunhas, a fim de adiantar o andamento do processo.

JULGAMENTO ADIANTADO
A defesa de Bolsonaro, igualmente, abriu mão do prazo de cinco dias antes do julgamento, para que o candidato seja julgado pelo STF. Com isso, a ação que seria julgada contra Bolsonado será avaliada pela primeira turma do STF no final agora do mês de agosto.

A denúncia da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, cita uma palestra em abril de 2017, no Clube Hebraica, acusando Bolsonaro de praticar racismo e incitar manifestações discriminatórias contra quilombolas, indígenas e refugiados.

Bolsonaro também responde, no STF, por ações de injúria e incitação ao estupro, movidas pela Procuradoria Geral da República e pela deputada Maria do Rosário (PT-RS). Todas as ações foram adiantadas no STF e estão na última etapa antes do julgamento final. Os advogados de Bolsonaro apresentaram em sua defesa que as declarações foram expressão de sua “opinião política” proferida no contexto de sua atuação como parlamentar.

UNANIMIDADE
O TSE aprovou por unanimidade, quatro candidaturas, sem qualquer pedido de impugnação ou erro formal: Marina (REDE), Boulos (PSOL), Amoêdo (NOVO) e Cabo Daciolo (Patriota). Vera Lúcia (PSTU) teve a candidatura confirmada um pouco antes. A confirmação rápida se explica por não existirem contestações ou problemas com as coligações, avaliando-se também os candidatos a vice-presidente.

Vale lembrar: em 1989, a candidatura de Sílvio Santos foi excluída após um erro formal no registro de candidatura. Portanto, é bom que os eleitores e candidatos fiquem atentos. A saída de uns e a mudança de outros, pode alterar o cenário.

TUDO PODE MUDAR
Há, finalmente, um rumor apurado pela coluna, mas ainda não confirmado, de que o TSE pode corrigir valores e, assim, elevar a multa para os eleitores que não comparecerem para votar. Atualmente, o valor, quase simbólico, fica entre R$1,05 e R$ 3,51. Mesmo com valores tão baixos, os eleitores que não votaram em 2016 devem R$ 98 milhões à Justiça Eleitoral.

Se a revisão da multa realmente acontecer, muitos dos atuais indecisos e propensos à anulação poderão ser forçados a comparecer, ajudando ou adiando a definição eleitoral, ainda no primeiro turno.

André Mello é jornalista, tradutor, teólogo e cientista da religião.

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