Opinião André Mello: Eleitorado está pessimista, mas quer votar em candidato crente e honesto

Pesquisa aponta: 44 dos eleitores estão pessimistas, 87% desejam votar em um candidato honesto e 67% quer votar em quem acredita em Deus

André Mello - 20/04/2018 09h03

Olá leitor do Pleno.News, tudo bem? Hoje quero comentar sobre a pesquisa realizada, em março, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que aponta as expectativas e os sonhos da população brasileira nas eleições. Seu resultado ficou quase escondido, porém merece uma análise mais cuidadosa. No entanto, no meio de tanta bomba, tiro e pancadaria, ficou difícil para muita gente pensar.

Mas, fique atento, pois é possível que a anulação do pensamento venha a nos cegar para o óbvio. O Brasil tem voto universal, democrático e popular. Tanto os candidatos quanto os eleitores estão sujeitos a esse humor nacional, essa inclinação geral.

Na década de 90, a inflação e o desemprego vinham em primeiro lugar na cabeça do povo brasileiro e todos os políticos tiveram que enfrentar essa demanda. Quem apostou em outros temas, naufragou. Nos anos 2000, renda, mudanças sociais e cidadania pautaram a escolha dos eleitores. Agora, a pesquisa indica direções gerais, em vez de nomes. E, por isso, é reveladora. Segundo a pesquisa:

 

A corrupção é o maior problema
Corrupção, drogas e segurança dominam as conversas temáticas e disparam nas pesquisas como grandes problemas nacionais. O eleitor está pessimista (44%), mas, mesmo sem muita esperança, quer um candidato honesto (87%), que acredite em Deus (67%) e tenha experiência política (47%). A tese de que o eleitorado possa votar em alguém sem experiência política, que venha de fora da política não resiste às pesquisas. O eleitorado está disposto a votar em alguém honesto e tarimbado, mesmo que discorde de suas opiniões políticas (41%).

Na prática, isso pode fazer diferença, num eventual segundo turno,quando o eleitorado é forçado a escolher entre duas candidaturas diferentes, mas não favoritas.

O candidato ideal independe do partido
O candidato ideal não deve ser rico (72%), deve transmitir confiança, ter pulso firme, ser decidido e ser sério, ter postura de presidente (características muito importantes para 82%, 78% e 76% dos entrevistados). Ou seja, “os eleitores valorizam mais a honestidade, não mentir em campanha e nunca ter se envolvido em casos de corrupção”. 48% dos eleitores não têm simpatia por nenhum partido político e 72% votam nos candidatos que gostam, independentemente do partido.

Jovens X adultos (ou de mais idade)
Os mais jovens desejam mais mudanças sociais (melhoria da saúde, educação, segurança e redução da desigualdade social) e os mais velhos desejam maior moralidade administrativa. Os mais jovens também se importam menos com a estrutura familiar e com a religião, embora quase metade considere isso relevante (49%).

A pesquisa ainda ressalta que “quanto maior o grau de instrução, maior o percentual de citações à estabilização econômica como prioridade para a próxima pessoa a ocupar a presidência.

Entre os que possuem educação superior, 23% citam esse fator como prioridade, percentual que cai a 16% entre os que possuem até a quarta série do ensino fundamental”. Os pobres, neste caso, nunca conheceram estabilidade financeira e previsibilidade.

Fé em Deus
O grande destaque da pesquisa é que o povo brasileiro, mesmo entre os mais escolarizados, valoriza a religiosidade. Entre os que possuem educação superior, 67% concordam totalmente ou em parte com a afirmativa de que o candidato deve crer em Deus, enquanto entre os que possuem até a quarta série do ensino fundamental esse percentual chega a 89%. Ou seja, este não é um dado desconsiderado pela maioria.

O Estado pode ser laico, mas o povo não é…

Vale conferir a pesquisa e a análise completa, no site do Portal da indústria.

André Mello é jornalista, tradutor, teólogo e cientista da religião.