Debates e programas: O dilema dos candidatos

Participar ou não. Qual é a melhor estratégia para ter sucesso na campanha?

André Mello - 27/08/2018 09h47

Cientistas Políticos consideram a estratégia de não comparecer aos debates viável, para evitar exposição, mas comunicadores sugerem que a visibilidade nos debates e entrevistas pode ser fundamental para quem não tem muito tempo de Propaganda Eleitoral.

Lula, Collor, FHC e Bolsonaro rendem muitas análises controversas. E aí vem a questão, ou melhor, o dilema: Debater ou não debater?

NA RETRANCA
Jair Bolsonaro (PSL) afirmou em vídeo, divulgado em várias plataformas de internet, no dia 25 de junho, que participaria de todos os debates, desmentindo informações divulgadas por Ancelmo Goes (O Globo) e exploradas por Geraldo Aclkmin, de que “fugiria dos debates”. Compareceu a dois, na Bandeirantes e Rede TV.

No dia 9 de agosto, a Bandeirantes fez primeiro debate com candidatos ao Planalto. Em cinco blocos, presidenciáveis responderam a perguntas de eleitores, e perguntas de jornalistas da Bandeirantes, Folha, UOL e SBT.

Esse primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República foi marcado por discussões, entre outros temas, sobre corrupção, economia e a gestão das contas públicas.

O segundo debate para presidente da República ocorreu, dia 17 de agosto, na RedeTV!, e incluiu um formato em que os candidatos ficavam frente a frente (em uma espécie de “ringue”).

Na visão de alguns analistas, como Dora Kramer (Veja), o ex-militar saiu-se mal e muitos analistas consideraram que Marina aproveitou melhor o formato do debate.

Jair Bolsonaro e Marina Silva discutiram no último debate na Rede TV! Foto: Diego Padgurschi/Folhapress

Agora, a relação azedou, especialmente, com a imprensa, após os debates, culminando com bate-boca em 9 de agosto, com repórter do grupo Globo; e fotografia de “cola na mão”, em 17 de agosto, feita por repórteres do Grupo Folha.

JOVEM PAN
Na quarta-feira (22), Bolsonaro declinou da participação no debate da rádio Jovem Pan, marcado para a próxima segunda-feira (27).

Mais tarde, o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, disse que a ausência do militar também se aplicaria a outros programas – privilegiando a campanha nas ruas.

UOL (do Grupo Folha) e Poder360/piauí repercutiram a notícia de que Bolsonaro só confirmaria a participação em debates de TV.

Carlos Bolsonaro, vereador e filho do presidenciável, afirmou em seu twitter que o pai participará dos debates.

MUITO DEBATE, MUITA EXPOSIÇÃO
Vários grupos de mídia aceleraram a organização de debates, pois perceberam que o “espetáculo” ganha audiência nas redes sociais e na Internet. Todavia, o líder das pesquisas eleitorais, em um cenário sem Lula, poderá restringir sua participação e exposição.

A estratégia já foi usada por Fernando Collor e FHC, em anos anteriores, e alguns cientistas políticos consideram que a ausência em debates pode preservar o líder das pesquisas diante dos demais candidatos.

Humberto Dantas, da Fundação Getúlio Vargas, relaciona a ausência do candidato do PT nos debates à ausência de uma temática que seria explorada, como os escândalos do Petrolão, que desembocaram na Lava Jato. Todavia, nem todos concordam com a ausência como um fator positivo.

LULA AUSENTE
O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que a ausência no debate “simbolicamente, foi importante para as pessoas entenderem que, juridicamente, a manobra do PT de colocar o Lula em evidência não surte efeito legal”.

Estar ausente dos debates pode significar menos exposição na mídia. Se o candidato tem boa presença em programas de Propaganda Eleitoral e Internet pode até abrir mão dos debates, mas os estrategistas de comunicação consideram suicídio deixar de comparecer aos debates. Especialmente em um momento em que TV, Rádio e Internet fazem parte de grandes grupos.

UOL, PODER360
O Universo Online (UOL) é o sexto site mais visitado da Internet no Brasil atrás dos sites do Google (Google Brasil, Google EUA e YouTube) e do Facebook. Pertence ao Grupo Folha (também dono do Jornal Folha de São Paulo e do instituto de Pesquisas Datafolha) e anunciou um debate com os candidatos. O site Poder360 e a revista Piaui também.

A Fundação Getúlio Vargas anunciou que os professores da FGV, Fernando Abrucio (Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV EAESP) e Carlos Pereira (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas – FGV EBAPE), participam nesta sexta (24), às 19h, do debate Que Presidente Teremos?.

Já o site Poder360 e a revista piauí realizarão, no mês que vem, debate com cinco candidatos à Presidência da República, previamente convidados (Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Marina Silva e um representante do PT). O evento será realizado no YouTube Space, no Rio de Janeiro.

MAIS DEBATES
A agenda de debates e os veículos indicam uma maratona para os candidatos.

Há pela frente:

  • TV Gazeta/Estadão (9 de setembro, 19h30) – televisão;
  • Poder360/revista piauí (18 de setembro, 10h) – streaming/Youtube;
  • Revista Veja (19 setembro, 9h) – streaming;
  • TV Aparecida (20 de setembro, 10h) – televisão;
  • SBT/UOL/Folha (26 de setembro, 18h20) – televisão;
  • Record TV (30 de setembro, 22h) – televisão;
  • Globo (4 de outubro, 21h30) – televisão.

Em 1989, a edição do debate entre Collor e Lula, no segundo turno foi fundamental para a derrota do candidato do PT. Portanto, participar ou não de debates não é uma decisão simples. É um dilema como o da Esfinge: “decifra-me, ou te devoro”.

André Mello é jornalista, tradutor, teólogo e cientista da religião.

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