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As eleições vêm aí, olho vivo no vice!

Depois de José Sarney, Itamar Franco, José de Alencar e Michel Temer, os candidatos estão mais cuidadosos na escolha do vice?

André Mello - 30/07/2018 11h59

E, afinal, leitor do Pleno.News, a escolha do vice, faz diferença para o eleitor? Por que, dessa vez, estamos a três meses da eleição e os candidatos à Presidência de maior expressão não têm vice?

VICE NÃO FALA
Nos anos 80, o humorista Jô Soares ajudou a popularizar a figura do vice-presidente, com o bordão: “Tirante o Aureliano, que fala, vice não fala”. E, embora alguns, imaginem que o vice-presidente (e nos momentos atuais, o vice-candidato) não tenha qualquer importância, a verdade é que os “vices” sempre foram mais importantes do que muitos imaginam.

CARTA VIVA
José de Alencar, escolhido por Lula para ser vice-presidente na sua chapa, era, para o empresariado brasileiro, a “carta aos brasileiros” traduzida em pessoa. Através dele, os donos do PIB nacional chegaram ao governo aliados com o PT e, de certa forma, sua presença traduzia uma aliança entre Capital e Trabalho.

Pode-se até comparar essa aliança com a Chapa Tancredo Neves e José Sarney – que representava a transição e a composição entre dois grupos políticos, de situação e oposição. Sarney, saído da Arena, acabou ficando responsável por conduzir o país à redemocratização, depois de 20 anos de eleições indiretas.

ITAMAR E TEMER
Collor e Dilma foram substituídos por nomes que poucos conheciam. Itamar Franco e Michel Temer assumiram o país depois dos pedidos de impeachment dos presidentes. Por isso, dessa vez, os candidatos estão tendo um cuidado redobrado para escolher lançar e divulgar seus vices-candidatos.

QUEM JÁ TEM VICE
Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU) e João Amôedo (NOVO) já escolheram seus vices.

Boulos dá destaque à líder indígena Sonia Guajajara; Vera escolheu o ativista Hertz Dias e Amôedo o cientista político Christian Lohbauer. O fato de não despontarem entre os nomes mais conhecidos do eleitorado indica, provavelmente, que o fizeram com mais liberdade em seus partidos.

Quanto maior a intenção de voto, mais difíceis as costuras? Talvez não seja esse o caso, mas podemos apostar que a escolha do vice não é um processo que dependa apenas do candidato.

OS SEM VICE
Lula (PT), Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Alvaro Dias (Podemos), Levy Fidelix (PRTB), Paulo Rabello de Castro (PSC) e José Maria Eymael (PSDC).

Todos esses candidatos, estão sem vice. O tempo de propaganda, as composições de governo e, especialmente, os recursos para a campanha são os principais pontos dessa escolha. No PT, a escolha do vice definirá o destino de Lula. E finalizará o movimento de judicialização da política, pois o impedimento do candidato canalizará para o vice o eleitorado do PT.

Janaína Paschoal na convenção ao lado de Jair Bolsonaro e de sua esposa. Janaína é cogitada como vice de Bolsonaro Foto: Reprodução

JANAÍNA PASCHOAL
No PSL, as reclamações dos candidatos regionais, quanto ao uso do fundo partidário e às composições nos estados pesam sobre a chapa presidencial. Também, está em questão uma série de posições da possível escolhida: Janaína Paschoal, que ganhou popularidade por ser uma das redatoras do pedido de impeachment de Dilma Roussef. A advogada e professora da USP, durante a convenção, teceu críticas à militância e apresentou posturas a favor da laicidade e de um tratamento jurídico dos casos de aborto.

Como o tema é determinante no PSL, que tem uma forte presença da bancada evangélica, pode ser que a chapa Jair-Janaína (Ja-Ja) não decole.

CENTRÃO EM MOVIMENTO
No PSDB, o apoio do Centrão definiu a partilha do futuro governo. E, ao mesmo tempo, acomodou as tensões nas coligações estaduais. Os demais candidatos, provavelmente, estão sendo “fritados”. Ciro e Marina, por exemplo, podem estar isolados, apesar do discurso “pró-candidatura” de seus partidos.

Nesse caso, recomendo aos leitores que votem com um olho no candidato e outro no vice… Ele (ou ela) pode assumir a presidência, por algum tempo, ou no lugar do titular.

André Mello é jornalista, tradutor, teólogo e cientista da religião.
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