Um em cada três brasileiros não possui conta em banco

Você sabe o que isso significa em termos de oportunidade?

Anderson de Alcantara - 27/08/2019 11h21

Clientes de bancos Foto: Reprodução

Um recente levantamento feito pelo Instituto Locomotiva revelou a existência de 45 milhões de brasileiros que não movimentam conta em banco. Representativamente, a cada três brasileiros, um não possui conta bancária. E, de acordo com a sondagem, esse grupo movimenta anualmente no país mais de R$ 800 bilhões.

Destes, 59% são mulheres de baixa renda que realizam trabalhos esporádicos. 69% do total consultado, são negros ou pardos. 86% estão concentrados nas classes econômicas C, D e E, que é a parcela da população menos conectada e com maior informalidade de trabalho. Ou seja: em uma análise simples, os “desbancarizados” são, em grande parte, a parcela mais pobre da população, sendo mais mulheres e negros.

Os bancos de varejo, do modo como atuam hoje, não respondem à demanda da maioria dessas pessoas, para as quais o dinheiro vivo, em espécie, acaba sendo mais importante. Contribui para isso, o fato de existir uma alta concentração no setor: 92% de toda a movimentação bancária no Brasil fica a cargo de apenas cinco grandes bancos de varejo. Faça uma pausa agora, estique uma das mãos, e conte quais opções você teria hoje de abrir conta em um banco que porventura pudesse ter uma agência física, próxima a você? É praticamente uma cartelização (união de empresas de um mesmo ramo de atividade para evitar a disputa mútua, manter o mercado sob o seu domínio, e dificultar a chegada de novos concorrentes).

A filosofia dos bancos convencionais é somente a do lucro. E ainda prevalece uma natureza seletiva na definição dos seus clientes.

Como essas pessoas não têm acesso ao crédito, precisam esperar até anos para juntar dinheiro vivo (em espécie) para comprar uma geladeira, um aparelho celular ou trocar de televisão, por exemplo. Se tivessem acesso ao crédito bancário, poderiam parcelar essas compras de modo a já ter hoje esse bem – tanto para seu conforto doméstico como para aumentar a produtividade de seu pequeno negócio. Isso faz a economia girar.

O quadro está começando a mudar; mas, no Brasil, o problema (como sempre) é a questão regulatória, já que até pouco tempo era obrigatório que qualquer serviço financeiro estivesse associado a uma instituição bancária convencional. Em 2018, porém, o Conselho Monetário Nacional aprovou resoluções que permitem que fintechs concedam crédito sem a necessidade de intermediação de um banco. Isso permite a essas startups reduzirem ainda mais os custos e proverem oferta de crédito a uma parcela da população que só precisa ter nome limpo e uma linha de celular. Atualmente, cerca de 10% das 350 fintechs que atuam no Brasil olham para quem não tem conta ou acesso aos serviços financeiros básicos.

Esse é o caminho: com custos operacionais mais enxutos, e sem ter que abrir uma agência em cada esquina, além de tirar dos bancos convencionais os clientes insatisfeitos com suas altas taxas, as fintechs devem mirar nos desbancarizados e incluí-los no Sistema Financeiro Nacional, facilitando-lhes o acesso a crédito e investimentos, colaborando para a sua plena cidadania. É uma forma de inclusão social e ajuda a ilustrar o dinamismo e o grau de formalização de uma economia.

Mas se permanecermos com essa parcela gigantesca de “desbancarizados”, a economia brasileira vai demorar ainda um tempo para reaquecer. No fim das contas, esse é mais um dos inúmeros desafios que nosso governo atual tem pela frente…

Por hoje é só. Caso você tenha alguma questão ou dúvida relacionada a Finanças Pessoais, envie-a para redacao@plenonews.com.bre eu terei o maior prazer em responder e tentar lhe ajudar.

Forte abraço, até semana que vem se Deus quiser, sucesso e fiquem na Paz!


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