Para onde você está indo?

Você não nasceu apenas para trabalhar e pagar contas!

Anderson de Alcantara - 11/09/2018 11h27

Olá, pessoal!

Começo a reflexão de hoje citando um trecho do desenho Alice no País das Maravilhas (Walt Disney Studios, EUA, 1951), adaptação infantil do conto clássico norte-americano de Lewis Carroll.

No meio da aventura, Alice está caminhando pela floresta e se depara com uma encruzilhada onde inúmeros caminhos possíveis se apresentam. São várias placas indicando uma infinidade de trilhas para todos os lados, e a menina, cansada e indecisa sobre o que fazer para voltar para casa, recebe a oferta de ajuda de um gato misterioso e debochado.

Entre eles acontece o seguinte diálogo:

– O senhor pode me ajudar? – diz Alice.
– Claro – responde o Gato.
– Para onde vai essa estrada?
– Para aonde você quer ir?
– Eu não sei. Estou perdida.
– Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.

MORAL DA HISTÓRIA

Se você não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve.

Interessante, não? Releia esta última frase mais uma vez, para gravá-la na memória.

Feito? Bom. Mas o que isso tem a ver com finanças, com dinheiro? Muita coisa. Vamos desenvolver juntos este raciocínio.

Pare um pouco para pensar: Você tem tido a sensação de trabalhar, trabalhar e trabalhar; pagar contas; manter-se vivo… mas não percebe estar progredindo, avançando, prosperando da maneira como gostaria? Você sente que está muito distante do seu sonho idealizado lá atrás na juventude? Ou você hoje é jovem e está cheio de sonhos, mas ao mesmo tempo preocupado sobre o que vai ter que fazer diferentemente de seus pais e antecessores para ter um resultado melhor que o deles?

A imensa maioria de nós é colocado(a) no “jogo da vida” sem saber muito bem as regras do jogo. Basicamente recebemos de nossos pais informações baseadas em “não pode isso, não pode aquilo”, e um trilho a se seguir baseado em estudos/carreira/emprego/família.

A melhor definição que já vi nesse sentido está no livro Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosaki, Editora Alta Books. Nessa consagrada obra, o autor compara esse nosso ingresso no “jogo da vida”, sem ter objetivos e sem conhecer as regras, a uma “corrida dos ratos”, termo que evoca a famosa imagem dos ratos de laboratório que tentam escapar correndo em uma roda ou em volta de um labirinto por meio de esforços inúteis, num exercício sem fim e autodestrutivo por natureza.

Ao observarmos a vida das pessoas de instrução média, mais precisamente a classe trabalhadora de nossa sociedade pós-moderna, você verá uma trajetória comum em quase todas as famílias: a criança nasce e vai para a escola, o filho(a) se destaca, os pais se orgulham e o estimulam a tirar notas boas e passar num vestibular para uma boa universidade. O filho se forma, e então faz exatamente o que estava determinado: procura um emprego ou passa num concurso público e segue uma carreira “segura e tranquila”.

Quando esse filho consegue finalmente encontrar esse emprego, começa a ganhar seu dinheiro e copia o modelo de consumo de seus pais e/ou amigos à sua volta. Com isso, começam a chegar os boletos e um monte de cartões de crédito para pagar no vencimento, que serão programados para coincidir com o dia do seu pagamento de salário.

Achando que está fazendo tudo certo, o filho vai aos mesmos lugares onde vão os jovens, conhece alguém, namora e, às vezes, casa. A vida é então maravilhosa porque atualmente marido e mulher trabalham. Eles se sentem bem-sucedidos, seu futuro é brilhante, e eles decidem comprar uma casa, um carro, uma televisão, tirar férias e ter filhos. O desejo se concretiza, mas a necessidade de se obter cada vez mais dinheiro é imensa.

O feliz casal conclui que suas carreiras são da maior importância e começam a trabalhar cada vez mais para conseguir promoções e aumentos. A renda aumenta e vem outro filho… e com ele a necessidade de uma casa maior, e outra escola particular para pagar. Eles trabalham ainda mais arduamente, tornam-se funcionários melhores. Voltam a estudar para obter especialização e ganhar mais dinheiro. Talvez arrumem mais um emprego. Suas rendas crescem, mas a alíquota do imposto de renda, o condomínio da casa maior e outros custos também crescem na mesma proporção.

Está cada vez mais difícil fechar as contas do mês, e o casal olha para aqueles contracheques altos e se perguntam para onde todo esse dinheiro vai. Eles não têm nenhum controle sobre os seus gastos. Aplicam alguma coisinha que sobra (quando sobra) na poupança, ou em produtos que seus bancos recomendam, sem nem checar se aquilo realmente cumpre o que promete.

O feliz casal, nascido há 35 anos, está agora preso na armadilha da “corrida dos ratos” pelo resto de seus dias. Eles trabalham para os donos da empresa, para o governo, quando pagam os impostos, e para o banco, quando pagam cartões de crédito e hipoteca.

Então eles aconselham seus filhos, agora juniores, a estudar com afinco, obter boas notas e conseguir um emprego ou uma carreira segura. Eles não aprendem nada sobre dinheiro, a não ser com os mesmos agentes que se aproveitam de sua ingenuidade e trabalham arduamente a vida inteira. E o processo se perpetua, passando de geração em geração…

Triste, verdadeiramente triste. Mas é possível quebrar essa “maldição”. Acredite:

Você não nasceu só para trabalhar e pagar contas!

Sair da “corrida dos ratos” é um grande desafio. Afinal, desde que nascemos, somos moldados pela sociedade a não discutir o modelo estabelecido acima. Esse comportamento está verdadeiramente adestrado em nosso cérebro, e quebrar esse padrão vai nos exigir um pouco de esforço, conhecimento, reflexão e atitudes.

Para começar, vamos tratar as nossas preocupações a respeito de dinheiro. Em seu livro Como se Preocupar menos com Dinheiro, da Editora Objetiva; John Armstrong nos convida a refletir com o que estamos realmente preocupados:

  1. Para que preciso de dinheiro? Ou seja, o que é importante para mim?
  2. De quanto dinheiro preciso para fazer isso?
  3. Qual é para mim a melhor maneira de conseguir esse dinheiro?
  4. Quais são as minhas responsabilidades econômicas para com outras pessoas?

Nós só progredimos na vida quando transformamos ansiedades em questões específicas, deixando de focar na multidão de pequenos problemas à nossa volta (como o pagamento da fatura que vence ainda esta semana) e, pelo menos uma vez por semana, paramos para nos organizar, planejar, e pensar na vida de uma forma macro (maior, mais longe), estabelecendo prioridades e focando nas questões corretas.

Repare que as questões 1 e 2 acima estão relacionadas aos seus objetivos: O que você quer e o quanto isso custa. Já as questões 3 e 4 têm mais a ver com o seu sonho de vida, carreira e gregária (família, amigos, sociedade etc).

Faça ainda esta semana uma reflexão honesta sobre essas questões. Sugiro que você abra um caderno ou um documento no seu computador e lance respostas para essas quatro perguntas. Periodicamente, abra esse registro e revise-o. Veja se o objetivo/sonho ainda faz sentido, reflita sobre o que você tem feito para alcançá-lo. Faça as contas. Envolva seus pares. Use esse registro como bússola para você verdadeiramente saber onde quer chegar, e chegar até lá!

E parabéns! A partir de agora, você já não é mais um “ratinho” perdido no labirinto da vida.

Por hoje é só. Contem comigo! Estarei toda semana por aqui.

Caso você tenha alguma questão ou dúvida relacionada a finanças pessoais, envie-a para redacao@plenonews.com.br e eu terei o maior prazer em responder e tentar lhe ajudar.

Forte abraço, até semana que vem. Sucesso e fiquem em Paz!

Anderson de Alcantara é profissional do mercado financeiro há 29 anos, atua como Consultor Financeiro na Sukses Consulting Advisory e é Professor Titular do Ministério Videira – Educação Financeira à luz da Bíblia.

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