Inflação – o mal silencioso

O aumento da expectativa de inflação é um sinal de alerta importante

Anderson de Alcantara - 04/06/2019 10h12

Inflação Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Na última Pesquisa de Sondagem do Consumidor da FGV/IBRE aumentou de 60% para 68% o número de consumidores que projeta inflação acima da meta para a inflação nos 12 meses seguintes.

Se você tem sentido um leve aumento dos preços nas horas das compras, é bom lembrar porque devemos torcer – e fazer a nossa parte – para que a inflação não volte a ser um pesadelo que destrói planos, frustra sonhos, e oprime principalmente os mais pobres.

Comemorando 25 anos este mês, o Plano Real de junho de 1994 conseguiu uma verdadeira façanha: acabar com a hiperinflação brasileira. Parecia uma missão impossível, já que desde o início da redemocratização (1985) ela já tinha dado cabo de diversos planos econômicos anteriores.

É bom lembrar que durante a segunda metade do século 20, o Brasil foi o país com a maior inflação em todo o mundo. Antes de a nova moeda entrar em circulação, em março de 1990 por exemplo, a inflação chegou a absurdos 84% ao mês. Em 1993, um pouco antes da criação do Cruzeiro Real – a nona moeda corrente do país – a inflação atingira a marca de 30% ao mês. Em seu último mês de vida, em junho de 1994, ela desvalorizou 47,43%. Posto em prática no governo Itamar Franco, o plano que estabilizou a economia foi organizado pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e no mês seguinte à sua implementação, a inflação caiu para 6,84%.

Só para relembrar aos mais antigos e passar aos mais jovens o que isso significava na prática, podemos dizer que se uma pessoa estivesse interessada em comprar um carro popular zero quilômetro de R$ 35 mil, e resolvesse pensar um pouco mais antes de se decidir, este carro ficaria R$ 500,00 mais caro a cada dia, e no ano seguinte o mesmo modelo custaria incríveis R$ 3.740.000,00.

A estabilização permitiu avanços: o mercado de trabalho obteve maior formalização, a desigualdade social diminuiu, o Brasil passou de devedor a credor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a economia brasileira foi elevada a grau de investimento pelas principais agências internacionais de classificação de risco (embora recentemente isso tudo tenha sido perdido graças à condução equivocada da economia dada pelos últimos governos).

Mas afinal, o que é inflação?
Inflação é o aumento médio dos preços dos bens e serviços comercializados numa economia em um determinado intervalo de tempo. Os processos que disparam o aumento desta taxa, em nossa história, geralmente estão ligados a:

  • desequilíbrios internos – crescimento exagerado da despesa do governo, levando a um aquecimento da demanda muito acima da capacidade da oferta;
  • choques externos – mudanças desfavoráveis na economia internacional;
  • turbulências políticas internas – incertezas quanto ao comportamento do governo em relação à economia.

Às vezes, temos que lidar com um destes fatores – o que já é difícil. Mas quando os três vêm ao mesmo tempo, temos um cenário turbulento que os analistas gostam de chamar de “Tempestade Perfeita”.

Mas para quem tem dinheiro guardado, o aumento dos juros não é bom?
Não. Não e não. Definitivamente, não.

Quem se considera bem empregado ou porventura tem um negócio bem estruturado e aplicações financeiras no banco, pode defender-se da inflação e até ganhar com ela. Mas é um “ganhar” que vem em detrimento daqueles que não tem como se defender dela: os mais pobres. Estes não conseguem indexar os seus salários, repassar preços aos seus produtos, não tem aplicações financeiras, etc.

Além de ser uma espécie de “imposto extra contra o pobre”, a inflação dificulta o planejamento da vida de todas as pessoas, famílias e empresas porque quando se tem inflação alta, crônica e crescente o futuro é incerto – mesmo o futuro imediato.

Isso sem falar que, qualquer brasileiro que hoje se considere “bem empregado ou dono de um negócio bem estruturado” deveria passar por um teste de sanidade mental urgentemente.

Continuaremos com este assunto semana que vem, quando trarei pra você desde já algumas dicas valiosas para lidar com a iminente alta da inflação e subida dos juros. Não perca!

Lembrando que, caso você tenha alguma questão ou dúvida relacionada a Finanças Pessoais, envie-a para redacao@plenonews.com.br e eu terei o maior prazer em responder e tentar lhe ajudar.

Forte abraço, até semana que vem, sucesso, e fiquem em Paz!

Anderson de Alcantara é profissional do mercado financeiro há 30 anos, atua como consultor financeiro na 3468 Finance e é professor titular do Ministério Videira – Educação Financeira à luz da Bíblia.

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