Casa própria – parte III: Consórcio imobiliário

Para quem não está com tanta pressa de se mudar, o consórcio pode ser uma boa solução.

Anderson de Alcantara - 14/05/2019 13h59

Olá, caro leitor do Pleno.News! Como vai? Tudo bem?

Dando continuidade à série de estudos sobre como realizar o sonho da casa própria, quero hoje falar para quem não está assim tão com pressa de ter seu próprio lar. Esta é a galera que está no segundo grupo que identificamos no início desta série (clique aqui para ler a matéria).

Para quem não está com pressa de adquirir um imóvel, o financiamento deve ser descartado – como vimos aqui semana passada (clique aqui para ler a matéria). Para realizar este projeto, dois outros instrumentos financeiros podem ser usados com mais eficiência: o CONSÓRCIO ou o INVESTIMENTO. As duas modalidades têm vantagens e desvantagens. Vai depender o que a pessoa/família quer priorizar.

No CONSÓRCIO, os participantes definem o valor que querem alcançar para comprar seu imóvel (carta de crédito) e pagam mensalmente parcelas mensais que envolvem o rateio deste valor dividido pelo número de meses do plano, acrescido de Taxa de Administração (e não de juros) e seguros.

A contemplação (liberação do valor da carta de crédito) se dá por meio de sorteios e dos lances. Para participar do sorteio basta estar com a mensalidade em dia e, se contemplado, o cotista recebe a liberação da carta de crédito para a compra do bem. Caso não tenha sido sorteado, o participante também pode dar um lance, ou seja, fazer uma oferta para ser contemplado. Leva o crédito de compra o participante que der o lance mais alto.

Dessa forma, a variável TEMPO pode ser flexibilizada, diferente do que acontece no FINANCIAMENTO (bem à vista x juros pagos) e no INVESTIMENTO (bem no final do prazo x juros recebidos).

Além disso, o consórcio não exige entrada; não há pagamento de juros nem IOF – apenas Taxa de Administração, que é bem menor; e você pode programar a sua contemplação – se além de pagar a parcela do consórcio você conseguir guardar dinheiro ao longo do tempo.

NO ENTANTO não entre em um consórcio de olhos fechados:

  • As taxas de administração variam muito de uma administradora para outra e, algumas são tão altas que financiar pode até valer mais a pena para ter o imóvel logo;
  • Se for contar somente com o sorteio, tenha em mente que pode ser que você seja contemplado só lá pro final do plano, então não tenha pressa;
  • Um consórcio é formado por um grupo de pessoas. Em tese, um grupo de 200 meses tem 200 pessoas, que rateiam o valor pretendido em 200 vezes e a cada mês alguém é sorteado. No entanto, se as pessoas começam a ficar inadimplentes com o grupo, e a consorciadora não tiver um fundo de reserva para arcar com essa inadimplência, os participantes remanescentes podem ser chamados a recompor o valor do aporte mensal. Ou seja: há, sim, um risco de a parcela aumentar;
  • Procure uma empresa séria, de renome, e com experiência no mercado. Em caso de insolvência da consorciadora, é possível que o grupo tenha que batalhar na Justiça pra reaver o dinheiro.

DO PONTO DE VISTA FINANCEIRO, é mais inteligente investir em uma aplicação financeira para comprar o imóvel à vista, depois de algum tempo. Além de não arcar com a taxa de administração, o consumidor ganhará em tempo e/ou dinheiro.

Como sempre digo: nada resiste ao teste da calculadora. Então, sejamos práticos e vamos a um exemplo:

  • 02 casais pretendem morar num imóvel de R$ 300.000,00;
  • Ambos (os casais) não têm nada para dar de entrada;
  • Ambos farão um plano de 200 meses (16 anos e meio) para adquirir o imóvel;
  • 1 casal optará pelo Consórcio, assumindo uma parcela mensal;
  • 1 casal optará por assumir o compromisso de Investir mensalmente o valor equivale à parcela que o outro casal pagará;
  • A taxa de administração do Consórcio é de 2% ao ano (padrão de mercado), e a do investimento é de 6,5% ao ano (SELIC atual);
  • Os cálculos foram todos feitos a valor presente, desconsiderando o efeito da inflação que reajustará, da mesma forma, a carta de crédito e o valor da parcela / investimento mensal dos casais.
  • Vejamos os resultados:

Novamente, contra fatos não há argumento! O consórcio acaba sendo uma boa opção apenas para quem não consegue se organizar e não tem o hábito de poupar. É uma forma de fazer uma “poupança forçada” para realizar um sonho. Mas isso tem um custo. Em torno de R$ 1.000, por mês, para ser mais exato!

A conclusão quem deve tirar é você, porque ela depende das suas características pessoais. Muita gente considera consórcio vantajoso, mas como vimos acima o custo de contar com a sorte de uma contemplação antecipada é muito alto.

Antes de se decidir, não perca a conclusão desta série na semana que vem com uma revelação bombástica !!! Não perca!

Por hoje fico por aqui, lembrando que, caso você tenha alguma questão ou dúvida relacionada a Finanças Pessoais, envie-a para redacao@plenonews.com.br e eu terei o maior prazer em responder e tentar lhe ajudar.

Forte abraço, até semana que vem, sucesso, e fique em paz!

Anderson de Alcantara é profissional do mercado financeiro há 30 anos, atua como consultor financeiro na 3468 Finance e é professor titular do Ministério Videira – Educação Financeira à luz da Bíblia.

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