A maldição da classe média

Quando a falsa sensação de prosperidade lhe conduz, na verdade, ao caminho da falência

Anderson de Alcantara - 25/09/2018 10h21

Olá, pessoal que me acompanha aqui no Pleno.News, como vão? Tudo bem?

Hoje quero falar com vocês a respeito de um aspecto interessante com relação a como a maioria das pessoas se organiza para formar carreira e ganhar dinheiro.

Conforme já abordei no texto Para onde você está indo?, o padrão da nossa sociedade moderna, ainda é o de incentivar o indivíduo desde a infância a estudar, definir uma carreira, trabalhar e se desenvolver na tal carreira a fim de ganhar um bom salário. Seja na iniciativa privada ou através de um concurso público

Um dos problemas desse modelo é que, durante essa trajetória na qual o indivíduo vai se desenvolvendo, alcançando cada vez mais postos de trabalho melhores e consequentemente salários melhores acaba se tornando consenso que, conforme o indivíduo ou a família forem melhorando a sua renda, “mereçam” também melhorar o seu padrão de vida. Incorporando, assim, cada vez mais gastos que agora podem ser mantidos através do novo patamar de renda conquistada.

Dessa forma, a família troca seu pequeno primeiro imóvel no subúrbio por um novo em um condomínio localizado em uma zona mais valorizada da cidade; troca o transporte público por um carro confortável; tira os filhos da escola pública e os colocam na particular; troca o lazer no litoral por viagens internacionais; e por aí afora…

Esse comportamento está descrito no livro Eu Vou te Ensinar a Ser Rico, de Ben Zruel, da editora Gente, e é chamado pelo autor de “maldição da classe média”.

Financeiramente falando, fora outros aspectos, um dos problemas desse estilo de vida é que, nesse modelo, o indivíduo e a família gastam sucessivamente tudo o que ganham para manter um padrão de vida que é automaticamente elevado a cada conquista salarial obtida, sem deixar margem para formação de reservas.

Ao observarmos os indicadores econômicos de poder de compra, massa salarial, endividamento, e nível de poupança na sociedade brasileira, percebemos que a maioria das famílias, no nosso país, vive dessa forma.

Apenas 20% das famílias no Brasil possuem uma reserva técnica financeira de segurança adequada; e apenas 6% estão economizando adequadamente hoje para poder sustentar seu padrão de vida atual na aposentadoria.

O problema desse modelo é que as famílias se tornam dependentes da continuidade e do aumento constante da renda para continuar sustentando seu estilo de vida. Mas quando acontece uma queda na renda causada por desemprego, perda de comissões, diminuição de faturamento etc., o estilo de vida fica comprometido e imediatamente há que se fazer cortes bruscos e sacrifícios. Isso sempre gera frustração e, em alguns casos, pode até levar à depressão – e em casos mais graves, ao suicídio. Conforme também já abordamos aqui, no texto da semana passada.

Quanto mais alto é o padrão de vida de uma família, mais difícil e sacrificante será se adaptar a uma nova realidade de renda inferior. Claro, se não houve o planejamento financeiro adequado que dê suporte a um período de queda na renda.

É nessa situação que muitas famílias começam a trilhar o caminho das dívidas, de onde ficará muito mais difícil sair conforme o tempo for passando e essa situação for perdurando.

A falsa sensação de prosperidade proporcionada por um padrão de vida que consuma 100% da renda mensalmente lhe conduz, na verdade, ao caminho da falência. E não ao da construção da riqueza.

Ainda que tudo “corra bem” e não hajam percalços dessa natureza na trajetória, a grande realidade, hoje, da maioria dos brasileiros é que após 40 anos de trabalho, 60% das famílias ficam totalmente dependentes do pagamento estatal de aposentadorias ou benefícios. Assim, além de perderem poder de compra real a cada ano que avançamos na reserva, as famílias estão seriamente ameaçadas face a falência iminente do sistema. O que é notícia quase que diariamente.

Este é um fato que você não pode ignorar.

Para isso, o primeiro desafio de cada cidadão nos tempos atuais é não moldar os nossos desejos aos padrões dos outros. Nossas ambições não devem ser ditadas pela mídia, nossos parentes, colegas e amigos.

Saiba dizer não; jamais comprar por impulso; não ir na onda dos outros. Ensine ao seu cérebro o que a sua santa mãezinha tentou lhe ensinar por toda a infância: “Mas mãe, todo mundo já tem um…” ao que ela respondia: “VOCÊ NÃO É TODO MUNDO!”

Se lembra disso? Pois é. Sua sábia mamãe tinha razão: você não é todo mundo!

Não é porque “todo mundo” gastou R$ 5 mil no último modelo de celular que foi lançado, que você precisa cometer a mesma insanidade.

Necessidade é diferente de vontade.

Foque em suprir suas necessidades e as de sua família. Tomem um sorvete de vez em quando, mas a maioria das vontades pode vir em segundo lugar, e ser devidamente planejadas.

Consequentemente, a missão de um indivíduo ou de uma família que pretenda alcançar a tão sonhada LIBERDADE FINANCEIRA no futuro, implica em: hoje se gastar menos do que se ganha, economizando parte do que se recebe; formando com esta sobra primeiramente uma reserva de liquidez e segurança, para a cobertura de imprevistos e despesas extraordinárias. E, na sequência, continuar acumulando e investindo recursos para a formação de patrimônio e construção de riqueza. Para conquistar seus objetivos, realizar seus sonhos e ter uma vida tranquila. Sem sustos e sem dívidas.

Faça uma reflexão esta semana sobre como anda o seu comportamento financeiro e o de sua família, e tomem ainda hoje a decisão de se libertar desse sistema escravizante! E tornem-se felizes e prósperos, em vez de enriquecer as empresas e corporações que só querem viver às custas do seu dinheiro e sacrifício.

Continuem conosco, pois nos próximos conteúdos continuaremos falando mais a respeito.

Caso você tenha alguma questão ou dúvida relacionada a finanças pessoais, envie-a para redacao@plenonews.com.br e eu terei o maior prazer em responder e tentar lhe ajudar.

Um forte abraço, e até semana que vem. Sucesso e fique em Paz!

Anderson de Alcantara é profissional do mercado financeiro há 29 anos, atua como Consultor Financeiro na Sukses Consulting Advisory e é Professor Titular do Ministério Videira – Educação Financeira à luz da Bíblia.

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