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Venezuela: O que se sabe sobre a campanha de imunização

O país recebeu, até o momento, 750 mil doses das vacinas Sputnik V e Sinopharm

Pleno.News - 12/04/2021 15h21 | atualizado em 12/04/2021 15h51

Vacinação na Venezuela: o que se sabe sobre a campanha de imunização Foto: EFE/ Mauricio Dueñas Castañeda

Em meio ao aumento de casos de Covid-19 e de mortes por complicações da doença com a chegada de uma segunda onda de contágios, a vacinação na Venezuela progride lenta ou rapidamente, dependendo de quem analisa o programa de imunização venezuelano.

Segundo dados do próprio governo venezuelano, apenas cerca de 250 mil pessoas do setor da saúde e voluntários de um programa do governo que busca encontrar possíveis casos positivos de casa em casa foram vacinadas. Mas não se sabe quantos deputados (incluídos como prioritários, idosos ou em altos cargos políticos, como o presidente Nicolás Maduro) foram vacinados.

O país recebeu, até o momento, 750 mil doses das vacinas Sputnik V e Sinopharm. As unidades recebidas até o momento, todas em dose dupla, são suficientes para vacinar apenas 1,3% da população de 30 milhões de habitantes.

O ministro da Saúde, Carlos Alvarado, afirmou que a vacinação está caminhando rapidamente, o que não condiz com os números reais.

Até o momento, a Venezuela utilizou vacinas da Sinopharm e da Sputnik V, mas o próprio Maduro já disse que avalia outras opções, como as cubanas Abdala e Soberana 2, ambas em fase de testes.

O governo venezuelano anunciou que a Abdala será produzida no país, mas não divulgou a data prevista para o início das operações nem a quantidade mensal estimada de vacinas que serão fabricadas.

Em março, a Venezuela ratificou seu veto à vacina da AstraZeneca, por medo de possíveis complicações, depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter indicado as doses planejadas para o país pelo consórcio Covax.

O PROGRAMA ESTÁ FUNCIONANDO NO TEMPO DEVIDO?
A resposta curta é sim, mas apenas se forem levados em conta os últimos depoimentos de Maduro, que descumpriu as promessas feitas e adiou o início da vacinação em massa da população para julho deste ano.

A data planejada para a imunização em massa na Venezuela passou por várias mudanças, e as expectativas diminuíram à medida que o governo percebeu que seus planos iniciais de adquirir 10 milhões de doses da Sputnik V em tempo recorde eram excessivamente ambiciosos e não muito viáveis.

CRÍTICAS CONTRA O PLANO
A oposição venezuelana, reunida sob a liderança de Juan Guaidó, considera os esforços do governo de Maduro para vacinar a população insuficientes e exige a autorização de uso da vacina da AstraZeneca.

Já os sindicatos dos trabalhadores da saúde destacam que o programa de vacinação é tão fraco que pode ser considerado inexistente e reivindicam a estruturação de um calendário de imunização.

SETORES PRIVILEGIADOS
A Venezuela disse que a prioridade é imunizar “a primeira linha de combate” à Covid-19 – todos os profissionais de saúde e voluntários, seguidos por professores, medida considerada essencial para que os alunos voltem às salas de aula.

Mas o governo venezuelano também anunciou que os deputados da Assembleia Nacional (AN) e outros políticos estariam entre os primeiros a receber as vacinas, sem dar mais informações sobre quem entrou na lista.

Maduro e a esposa, a deputada Cilia Flores, já foram vacinados com a Sputnik V, o que gerou críticas de opositores e sindicatos de trabalhadores da saúde, mas não protestos da população.

*Com informações da Agência EFE

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