Venezuela e Irã reforçam aliança diante de “ameaças” dos EUA
Ministros dos dois países conversaram por telefone
Pleno.News - 08/09/2025 20h30 | atualizado em 09/09/2025 11h27

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, e o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, falaram sobre a aliança entre seus países diante do que consideram “ameaças” dos Estados Unidos, que estão realizando um destacamento militar em águas caribenhas perto do país sul-americano, informou a emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV) nesta segunda-feira (8).
Durante um telefonema, o ministro venezuelano das Relações Exteriores agradeceu ao governo iraniano por “defender os princípios e objetivos” da Carta das Nações Unidas” e enfatizou a “necessidade de respeitar a soberania nacional e a integridade territorial da Venezuela”, de acordo com uma nota da VTV, compartilhada por Gil através de seu canal Telegram.
Ele também garantiu que o governo de Nicolás Maduro e o povo venezuelano defenderão “sua independência, soberania e direito à autodeterminação”, e disse esperar que as nações membros do grupo Brics, incluindo o Irã, e outros países latino-americanos “condenem firmemente as ações dos Estados Unidos”.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores do Irã comunicou que seu ministro “condenou veementemente as ações unilaterais e intimidadoras” dos EUA e advertiu que ameaçar “o uso da força” contra nações em desenvolvimento independentes “constitui uma clara violação da Carta das Nações Unidas e uma séria ameaça à paz e à segurança internacionais”.
– É essencial que todos os governos responsáveis, reconhecendo a gravidade da situação atual, impeçam a disseminação da ilegalidade e da insegurança – disse o ministro persa.
Ele ainda expressou o apoio de seu governo à Venezuela diante da “intimidação dos EUA”.
Há uma semana, o governo de Maduro reafirmou com o Irã sua “luta conjunta” pela defesa de sua soberania, durante uma reunião entre Gil e o embaixador iraniano em Caracas, Ali Chegini.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, denunciou nesta segunda-feira, durante seu discurso na cúpula virtual do Brics, as ameaças dos Estados Unidos contra a Venezuela, assim como a agressão militar sofrida por seu país em junho, o conflito contínuo na Faixa de Gaza e os ataques israelenses contra Líbano e Iêmen, como “provas claras do fracasso da ordem mundial em garantir a paz, a justiça e a segurança internacional”.
A Venezuela adverte que está enfrentando a “maior ameaça” que o continente experimentou no último século, em referência ao destacamento militar dos EUA, ao qual Caracas respondeu com a mobilização de navios e milhões de milicianos, além de apelos à ONU e à comunidade internacional em geral.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, anunciou no domingo passado um “reforço especial” da presença militar em cinco regiões do país, localizadas, segundo ele, no Caribe e na costa do Atlântico.
Washington alega uma luta contra o tráfico de drogas, o que Caracas desmente, denunciando um plano para provocar mudanças políticas na Venezuela.
*EFE
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