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Uma das vítimas do governo chinês foi premiada com um Nobel da Paz enquanto estava presa

Pierre Borges - 05/01/2021 18h20 | atualizado em 06/01/2021 10h52

Policiais chineses armados em frente à viatura
Policiais chineses em serviço Imagem: Pxhere

O Partido Comunista da China (PCC), fundado pelo ditador Mao Tsé-Tung, governa o país asiático há 57 anos. Não raramente seu poder é usado para silenciar as vozes de quem critica o partido, os políticos ou o regime do país.

O Governo chinês, liderado por Xi Jinping há 8 anos, já foi diversas vezes acusado de ferir os direitos humanos, cerceando as liberdades de imprensa e de expressão e até mesmo fazendo coleta forçada de órgãos de presos políticos para a realização de transplantes.

Leia os casos de pessoas que foram cerceadas, ameaçadas e presas pela China após se oporem ao governo comunista do PCC.

1. Jack Ma, segundo homem mais rico da China

Bilionário Jack Ma criticou o sistema regulatório da China
Bilionário Jack Ma criticou o sistema regulatório da China Foto: Reprodução

Jack Ma, fundador do site Alibaba e segundo homem mais rico da China, não foi mais visto em público após fazer críticas contra o governo do país asiático, dois meses atrás.

Na última vez em que o bilionário apareceu em público, ele criticou o sistema regulatório da China e disse que os bancos chineses são responsáveis por desacelerar o processo de inovação de empresas.

Após as declarações, o presidente chinês, Xi Jinping, ordenou a suspensão da oferta pública de ações (IPO, em inglês) do Ant Group, de propriedade do empresário.

Uma porta-voz do Alibaba informou à agência Reuters que a ausência do empresário ocorreu devido a um conflito de agenda. Mas, no dia 19 de novembro, o Governo chinês usou o quadro Fleecy Clouds, de Kaii Higashiyama, para ameaçar Jack Ma.

A pintura, com uma nuvem em forma de cavalo, foi publicada em um artigo intitulado “Não fale impensadamente; não faça o que quiser. As pessoas não podem agir por vontade própria” logo após a convocação do empresário para interrogatório. A relação é que o nome do empresário, Ma Yun, significa literalmente “cavalo nuvem”. Em outras palavras, o recado do governo chinês teria sido de que o empresário não era nada além de uma nuvem.

2. Li Wenliang, médico que descobriu o coronavírus

Li Wenliang tentou alertar sobre coronavírus
Li Wenliang tentou alertar sobre coronavírus Foto: Reprodução

O oftalmologista chinês Li Wenliang foi considerado um herói por ter descoberto a disseminação do novo vírus ainda em dezembro de 2019 e ter alertado colegas sobre a doença. Em uma rede social chamada Weibo, uma espécie de Twitter chinês, Wenliang contou que enviou mensagens a colegas no dia 30 de dezembro, avisando sobre um novo vírus que estaria em circulação.

Menos de uma semana depois, ele recebeu a visita de agentes do governo que mandaram ele parar de “divulgar informações falsas que estariam causando distúrbios graves à ordem social”.

O médico afirmou ainda que foi obrigado a assinar um documento em que dizia que entendia que, se continuasse a emitir os alertas sobre a doença, ele seria levado à Justiça.

O oftalmologista chinês Li Wenliang foi considerado um herói por ter descoberto a disseminação do novo vírus ainda em dezembro de 2019

Em uma atitude rara, o governo chinês recuou e pediu desculpas por inicialmente ter ignorado os alertas do médico. O Comitê Central do Partido Comunista Chinês admitiu que falhou na resposta inicial ao surto.

– Em razão das falhas, precisamos melhorar nosso sistema nacional de gerenciamento de emergências e melhorar nossas habilidades em lidar com tarefas urgentes e perigosas – informou.

Wenliang morreu em fevereiro de 2020, aos 34, anos após uma parada cardíaca. O médico estava internado com Covid-19.

3. Jornalista chinesa é condenada por cobrir a pandemia na China

Jornalista cidadã divulgou a situação dos hospitais de Wuhan na internet
Jornalista cidadã divulgou a situação dos hospitais de Wuhan na internet Foto: Reprodução

A jornalista chinesa Zhang Zhan, que cobriu a pandemia de Covid-19 em Wuhan, epicentro da doença na China, foi condenada no dia 28 de dezembro a quatro anos de prisão por “provocar distúrbios” ao divulgar a situação dos hospitais da cidade em suas redes sociais.

Jornalistas e diplomatas estrangeiros que compareceram ao tribunal de Xangai, onde Zhan foi julgada, foram impedidos de entrar na sala de audiências. Além da proibição dos profissionais de imprensa, alguns simpatizantes de Zhan também foram afastados pelas forças de segurança.

A detenção da profissional aconteceu em maio, quando o tribunal chinês a acusou de ter divulgado informações falsas pela internet – informou à AFP outro advogado de defesa, Zhang Keke.

Jornalistas e diplomatas estrangeiros que compareceram ao tribunal de Xangai foram impedidos de entrar na sala de audiências

– Quando a vi na semana passada, ela afirmou: “Se receber uma sentença pesada, vou recusar qualquer alimento até o fim”. Ela acredita que vai morrer na prisão – explicou Zhang Keke após a sentença.

Além de Zhang, outros três jornalistas cidadãos, Chen Qiushi, Fang Bin e Li Zehua, foram detidos após a cobertura dos eventos.

4.Editor sueco detido na China ‘confessa’ e acusa Suécia

Editor sueco Gui Minhai acompanhado de dois policiais chineses
Gui Minhai comercializava livros ridicularizando o regime comunista Foto: Reprodução

O editor chinês, naturalizado sueco, Gui Minhai, de 53 anos, comercializava, em Hong Kong, livros ridicularizando o regime comunista. Ele foi detido em janeiro de 2018 na China, a caminho de Pequim. Em fevereiro de 2020, o editor foi condenado a 10 anos de prisão.

A Suécia classificou a medida do governo chinês como um “sequestro brutal” e exigiu a libertação imediata do editor. O pedido de liberdade também foi feito pela União Europeia e pelos EUA, ainda em 2018. Três semanas após ser detido, Gui reapareceu na TV estatal chinesa, ao lado de dois policiais chineses, afirmando ter se comportado mal e acusando a Suécia de tê-lo manipulado “como um peão de xadrez”.

Organizações defensoras dos direitos humanos afirmam que ele teria sido coagido a fazer tal confissão

O editor já havia desaparecido em 2015, depois de ser detido por conduzir “operações comerciais ilegais” e reapareceu em janeiro de 2016, na TV chinesa, dizendo que havia se entregado à polícia pelo seu envolvimento em um acidente fatal ocorrido dez anos atrás, quando teria dirigido embriagado. No entanto, organizações defensoras dos direitos humanos afirmam que ele teria sido coagido a fazer tal confissão.

5. Liu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2010

vencedor do prêmio nobel Liu Xiaobo
Liu Xiaobo lutou pelos direitos humanos na China Foto: Reprodução

Durante o aniversário de 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o ativista e escritor Liu Xiaobo assinou, junto com outros 300 intelectuais, a “Carta 08”, na qual pedia eleições democráticas e liberdade de expressão no país asiático. Ele foi condenado a 11 anos de prisão por “subversão ao poder do Estado”.

Dois anos depois da “Carta 08”, em 2010, Liu foi premiado com o Nobel da Paz devido à sua luta pelos direitos humanos no país asiático

Liu já havia participado da greve de fome durante o movimento antiautoritário estudantil de Pequim, que culminou no massacre da Praça da Paz Celestial pelas tropas do Exército Chinês, em 1989.

Dois anos depois da “Carta 08”, em 2010, Liu foi premiado com o Nobel da Paz devido à sua luta pelos direitos humanos no país asiático, mas não teve a autorização do governo chinês para receber a honraria e foi representado por uma cadeira vazia. Sua esposa também não pôde comparecer à cerimônia porque estava sentenciada a cumprir prisão domiciliar, mesmo não havendo sido acusada de nenhum crime.

Vítima de câncer no fígado e impedido de ter acesso a tratamento adequado dentro da prisão, Liu Xiaobo foi libertado em junho de 2017, em estado terminal da doença, e morreu menos de um mês depois.

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