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Tenista Peng Shuai nega ter feito denúncia de abuso sexual

Peng afirmou em uma rede social chinesa, em novembro, que havia sido abusada sexualmente por Zhang Gaoli, um dos políticos mais poderosos do país

Pleno.News - 20/12/2021 10h20 | atualizado em 20/12/2021 10h37

Tenista Peng Shuai Foto: EFE/EPA/Ritchie B. Tongo

A tenista Peng Shuai surpreendeu neste domingo (19) ao afirmar que não fez acusações de abuso sexual contra Zhang Gaoli, ex-vice-primeiro-ministro chinês. A primeira declaração pública da atleta, em vídeo, sobre o polêmico assunto, foi publicada pelo jornal Lianhe Zaobao, de Singapura.

– Primeiramente, preciso enfatizar um ponto que é extremamente importante: nunca disse ou escrevi que alguém me agrediu sexualmente. Devo enfatizar claramente esse ponto – declarou Peng, em vídeo publicado pelo maior jornal de língua chinesa de Singapura.

Peng disse que seu post feito na rede social chinesa Weibo, equivalente ao Facebook, tratou de um “assunto privado”. Sem entrar em detalhes sobre suas declarações, ela disse que “muitas pessoas não compreenderam” o que ela escreveu na rede social. Peng também afirmou que segue morando em sua casa, em Pequim, sem qualquer tipo de fiscalização ou supervisão do governo chinês.

A tenista, ex-número 1 do mundo, causou surpresa no dia 2 de novembro ao fazer um post na rede social mais famosa da China, fortemente controlada pelo Partido Comunista Chinês, afirmando que havia sido abusada sexualmente por Zhang Gaoli, um dos políticos mais poderosos do país.

SOBRE O CASO
Poucos minutos depois da publicação, todos os seus posts foram derrubados e o termo “tênis” foi censurado da plataforma, assim como os nomes da tenista ou de Zhang. A agressão, de acordo com a publicação da tenista, teria ocorrido em 2018, segundo Peng. Ela teria sido coagida pelo político, casado, a fazer sexo.

A tenista conta que resistiu e chorou antes de acabar cedendo. Nos três anos seguintes, ambos viveram um caso extraconjugal descrito como “desagradável” pela jogadora de 35 anos. Na publicação, a tenista disse que não poderia apresentar evidências que sustentassem sua afirmação, pois a relação de ambos era muito restrita.

Peng e Zhang começaram a se relacionar em 2011, quando se conheceram em Tianjin. Segundo a tenista, eles tiveram uma única relação, consensual, no decorrer daquele ano. Ela dá a entender também que houve uma segunda relação pouco antes de ele ser promovido e se ver obrigado a cortar relações com a atleta.

Após a denúncia, Peng desapareceu das redes sociais, e a Associação do Tênis Feminino (WTA, na sigla em inglês) não conseguiu mais entrar em contato com ela. Foram três semanas de silêncio até que a canais de comunicação estatais da China começaram a publicar fotos e até vídeos dela em casa. As publicações não convenceram a WTA e as demais entidades.

Nem mesmo a entrevista, por videoconferência, feita pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, tranquilizou a comunidade do tênis. Na conversa, Bach não tratou da denúncia de abuso sexual. Numa segunda conversa por vídeo, com o COI, a situação se repetiu. E a WTA seguiu pedindo “provas verificáveis” de que a tenista estava bem.

Peng se tornou uma referência do esporte na China depois de conquistar, em parceria com a taiwanesa Hsieh Su-wei, os torneios de duplas de Wimbledon, em 2013, e de Roland Garros, no ano seguinte. Após a vitória em Paris, as duas permaneceram 20 semanas na liderança do ranking mundial de duplas.

*AE

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