Julho de 2026 registra recorde na temperatura do mar
Serviço climático da União Europeia relaciona calor recorde nos oceanos ao El Niño e às mudanças climáticas
Pleno.News - 10/08/2026 09h33 | atualizado em 10/08/2026 09h46

A temperatura da superfície do mar no mês de julho foi a mais alta já registrada, segundo anunciou nesta segunda-feira (10) o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), do programa espacial europeu, em seu boletim mensal, que também citou as condições de seca e calor na Europa Ocidental que provocaram incêndios florestais extremos.
A temperatura média dos oceanos extrapolares atingiu no mês passado 20,96 °C, superando o recorde anterior de 20,89 °C medido em 2023.
Um dos motivos foram as temperaturas excepcionalmente altas em uma grande faixa do Pacífico Tropical, uma área onde estão presentes as condições do fenômeno meteorológico conhecido como El Niño, que segundo as previsões deve se intensificar nos próximos meses.
Ao redor da Europa, os recordes de temperatura no Atlântico e no Mediterrâneo Ocidental estiveram associados a ondas de calor marítimas intensas, que também afetaram os ecossistemas e as comunidades costeiras.
A parte ocidental do continente viveu o período conjunto de junho e julho mais quente já registrado, com 21,62 °C, acima do recorde de 2022 e 2,79 °C acima da média. Durante o período, sucederam-se ondas de calor e persistiu a seca que já havia se manifestado em maio.
As precipitações e a umidade do solo foram excepcionalmente baixas para o período na França, na Espanha, em parte da Alemanha e no Reino Unido.
O boletim destacou que, nas regiões afetadas, o fluxo dos rios caiu muito abaixo da média ou foi excepcionalmente baixo, o que causou impacto no abastecimento de água, na irrigação e na produção de energia em vários países, com repercussão particular nos rios Sena, Reno e Danúbio.
– Os sistemas de alta pressão persistentes retiveram o calor sobre a Europa Ocidental; as temperaturas extremas também amplificaram as secas generalizadas. Ao secarem, os solos perdem a capacidade de proporcionar frescor de forma natural – explicou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF).
– É um exemplo claro de como a mudança climática está intensificando as temperaturas extremas, nas quais o calor e a seca se reforçam mutuamente cada vez mais – acrescentou Samantha.
Em nível global, o mês de julho foi o segundo mais quente já registrado, com uma temperatura média do ar na superfície de 16,90 °C, empatado com julho do ano passado e atrás apenas do recorde de julho de 2023, sendo 1,47 °C superior à média pré-industrial de 1850-1900.
– O mês passado registrou uma atividade de incêndios florestais excepcional na Europa Ocidental, em termos de área queimada e emissões – lembrou, por sua vez, Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus.
Rouil ressaltou que as condições provocadas pela mudança climática favorecem incêndios de grandes proporções e de alta intensidade no sul da Europa, ao mesmo tempo em que estendem a temporada de queimadas rumo ao norte.
Além disso, alertou que incêndios maiores produzem mais fumaça, lançada a altitudes mais elevadas na atmosfera, o que permite que se desloque para mais longe e afete até mesmo países situados a milhares de quilômetros de distância, que costumam registrar relativamente poucas queimadas.
*EFE
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