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Surto de ebola na RD Congo pode ser o triplo de casos confirmados

Agência de saúde pública da União Africana indica que apenas entre 30% e 40% dos contágios reais estão sendo detectados

Pleno.News - 20/08/2026 15h01 | atualizado em 20/08/2026 17h34

Imagem do vírus ebola Foto: CDC/Dr. Frederick Murphy

O surto de ebola que atinge o leste da República Democrática do Congo pode ser até três vezes maior do que o mostrado pelo número oficial de 5.208 casos confirmados, segundo advertiu nesta quinta-feira (20) a agência de saúde pública da União Africana (UA), ao indicar que apenas entre 30% e 40% dos contágios reais estão sendo detectados.

– Estimamos que apenas entre 30% e 40% dos casos reais estejam sendo detectados. Modelos da equipe de análise da RD Congo junto com o Imperial College avaliam que o tamanho real do surto pode ser três vezes maior em número de casos confirmados – afirmou o chefe de Preparação e Resposta a Emergências dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC), Yap Boum.

Durante sua coletiva de imprensa virtual semanal, o Africa CDC informou que menos de 10% dos casos procedem de contatos conhecidos e menos de 40% têm um vínculo epidemiológico claro com um caso confirmado.

Boum explicou que a falta de detecção responde em grande medida ao fato de o surto ser causado pela cepa Bundibugyo, cujos sintomas são mais leves que os da variante Zaire e carecem de quadros hemorrágicos severos tão evidentes, o que reduz a percepção de gravidade na população e atrasa a busca por atendimento médico.

Como resultado, pelo menos 97% das mortes recentes estão ocorrendo na comunidade ou em centros de saúde gerais que carecem de protocolos de isolamento e de prevenção de infecções adequados.

No mapa epidemiológico, o organismo destacou a ausência de transmissão ativa durante mais de 42 dias em três zonas sanitárias, enquanto províncias como Ituri (epicentro do surto), Kivu do Norte e Kivu do Sul não notificaram casos nos últimos 79 dias. A transmissão também atinge Haut-Uélé (leste) e Tshopo (centro-norte).

No entanto, o Africa CDC confirmou dois casos na localidade de Buta, na província setentrional de Bas-Uélé, uma área muito próxima da fronteira com a República Centro-Africana, onde já foram implantados laboratórios móveis e mecanismos de vigilância transfronteiriça para evitar a expansão regional do vírus.

Essa epidemia superou a que também ocorreu na mesma região congolesa entre 2018 e 2020, mas ainda se encontra longe da mais grave registrada até hoje, que provocou 11 mil mortos e 28 mil contágios na África Ocidental entre 2014 e 2016.

*EFE

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