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“Se os russos nos viam, atiravam na gente”, diz morador de Bucha

Sobreviventes relatam momentos de terror em cidade com mais de 400 civis mortos

Thamirys Andrade - 04/04/2022 12h17 | atualizado em 04/04/2022 15h45

Após a retirada das tropas russas de Bucha, sobreviventes estão ajudando a recolher centenas de cadáveres de civis espalhados pelas ruas da cidade devastada. No processo, os moradores têm reconhecido familiares e amigos entre as vítimas. Em depoimento, eles contam que, durante a invasão, todas as pessoas que saíam nas ruas eram mortas pelos militares. A Rússia, contudo, nega ser responsável pelo massacre.

– Tenho medo que eles voltem. Todas as pessoas que estavam nas ruas foram mortas. Estávamos aterrorizados para sair, porque se os russos nos viam, atiravam na gente – declarou uma moradora sob anonimato à TV France 2.

Outro sobrevivente conta ter testemunhado seus vizinhos serem perseguidos por militares e mortos por foguetes.

– Eles paravam as pessoas sem nenhuma razão e as assassinavam – relatou.

Em entrevista à CNN, um morador afirmou que os soldados disparavam sem qualquer motivo.

– As pessoas estavam apenas andando, e eles disparavam sem qualquer razão. No bairro seguinte, Stekolka, foi ainda pior. Eles disparavam sem fazer perguntas – contou.

A cidade foi tomada pelos invasores no dia 27 de fevereiro. O cenário de destruição foi revelado após as forças ucranianas recuperarem o local. Com a retirada das tropas de Putin e o fim dos bombardeios, jornalistas puderam entrar em Bucha e fotografar os efeitos da guerra.

As imagens têm rodado o mundo e causado indignação global. Nas fotos, há cidadãos mortos com as mãos amarradas nas costas, caídos em suas bicicletas, esmagados dentro de seus carros por tanques ou atirados em valas comuns. Muitas das vítimas são mulheres idosas.

– Cadáveres de pessoas executadas ainda cobrem a rua de Yabluska, em Bucha. Têm as mãos atadas atrás das costas com trapos brancos de civis, foram alvejados na nuca. Por isso, podem imaginar que tipo de ilegalidade praticaram aqui – acrescentou outro morador.

Há ainda denúncias de estupro contra mulheres ucranianas.

– Mulheres [foram] estupradas na frente de seus filhos, meninas [foram estupradas] na frente das suas famílias, como ato deliberado de subjugação. Estupro é um crime de guerra – advertiu a embaixadora do Reino Unido na Ucrânia, Melinda Simmons.

Os relatos causaram reação por parte de líderes ocidentais, que têm prometido sanções mais severas contra a Rússia. Os chefes de estado europeus também garantiram que ajudarão a Ucrânia a reunir as provas necessárias e denunciar o governo Putin no Tribunal Penal Internacional, sob a acusação de crimes de guerra.

RÚSSIA FALA EM “ENCENAÇÃO”
O Kremlin negou veementemente que seja responsável pelas atrocidades contra os civis ucranianos. Segundo Moscou, trata-se de uma “performance encenada pelo regime de Kiev para a mídia ocidental”.

– Quem são os maestros desta provocação? Evidentemente os Estados Unidos e a Otan – acusou Maria Zakharova, porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores.

O país solicitou uma reunião no Conselho de Segurança da ONU para tratar do tema.

O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, pediu aos líderes internacionais que analisem cuidadosamente os fatos e ouçam os russos antes de culparem Moscou.

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