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Rússia e China fazem exercício militar em visita de Biden à Ásia

Atividade é sinal significativo de que a parceria entre os dois países não enfraqueceu durante a guerra na Ucrânia

Pleno.News - 24/05/2022 13h19 | atualizado em 24/05/2022 14h42

Joe Biden, presidente dos EUA Foto: EFE/EPA/JIM LO SCALZO

A China e a Rússia realizaram nesta terça-feira (24), seu primeiro exercício militar conjunto desde a invasão da Ucrânia por Moscou, enviando bombardeiros pelos mares do nordeste da Ásia. O movimento é considerado uma demonstração de força enquanto o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, visita a região.

O governo dos Estados Unidos estava acompanhando o exercício militar, disse um alto funcionário americano, enquanto Biden se reunia em Tóquio com os líderes da Austrália, Japão e Índia, nações parceiras da chamada coalizão Quad, formada em parte para combater o poder chinês na região do indo-pacífico.

A atividade militar foi um sinal significativo de que a parceria entre a China e a Rússia não enfraqueceu, mesmo quando a guerra de três meses na Ucrânia resultou em milhares de mortes de civis.

Os bombardeiros sobrevoaram o Mar do Japão e continuaram para o sul em direção ao Mar da China Oriental e ao Mar das Filipinas, afirmou a autoridade dos EUA, falando sob condição de anonimato ao The New York Times.

A Coreia do Sul emitiu um comunicado confirmando o exercício, dizendo que duas aeronaves militares chinesas e quatro aviões de guerra russos entraram em sua zona de identificação de defesa aérea na costa leste do país, sem invadir seu espaço aéreo.

A patrulha faz parte de um exercício militar anual, disse o Ministério da Defesa da China em seu site oficial. Os dois países já haviam realizado essas patrulhas em 2019, 2020 e 2021, mas na segunda metade do ano.

Exercícios conjuntos envolvendo bombardeiros estratégicos são complexos e normalmente são planejados com bastante antecedência. O funcionário do governo americano se recusou a dar detalhes imediatos sobre o número de bombardeiros envolvidos ou como os Estados Unidos estavam rastreando o exercício.

– Achamos que isso mostra que a China continua disposta a se alinhar estreitamente com a Rússia, inclusive por meio da cooperação militar. A China não está se afastando da Rússia. Em vez disso, o exercício mostra que a China está pronta para ajudar a Rússia a defender seu leste enquanto a Rússia luta em seu oeste – declarou um alto funcionário.

Ele acrescentou que o exercício de bombardeio indicava que a Rússia ficaria com a China em suas disputas territoriais com vizinhos no Mar do Leste e do Sul da China.

O presidente russo Vladimir Putin tentou fortalecer os laços da Rússia com a China como uma nação que se opõe ao domínio ocidental. Em 4 de fevereiro, quando Putin visitou Pequim para as Olimpíadas de Inverno e se reuniu com o presidente Xi Jinping pela 38ª vez com líderes nacionais, seus governos emitiram uma declaração afirmando que as duas nações tinham uma parceria “sem limites” .

Autoridades dos EUA dizem que ainda não têm indicação de que Pequim forneceu apoio material à guerra da Rússia na Ucrânia, uma medida que eles alertaram que poderia desencadear sanções à China semelhantes a algumas das medidas abrangentes que Washington e seus aliados adotaram contra Moscou.

PROTESTOS JAPONESES
O ministro da Defesa do Japão, Nobuo Kishi, relatou que seu país protestou por meio de seus canais diplomáticos depois que os bombardeiros voaram perto de seu território. Segundo ele, o governo de seu país transmitiu “graves preocupações” oficialmente junto a Pequim e Moscou.

– Dois bombardeiros chineses se uniram a dois bombardeiros russos no Mar do Japão e realizaram um voo conjunto no Mar da China Oriental. Depois disso, um total de quatro aviões, dois supostos novos bombardeiros chineses, que substituíram os dois bombardeiros anteriores, e dois bombardeiros russos, realizaram um voo conjunto do Mar da China Oriental ao Oceano Pacífico – informou Kishi à imprensa.

Kishi contou que um avião de inteligência russo também voou do norte da ilha de Hokkaido até a península de Noto, no centro do Japão, nesta terça, e classificou essas manobras de “provocativas”, tendo em conta a cúpula em Tóquio.

– Acreditamos que o fato de esta ação ter sido tomada durante a cúpula do Quad a torna mais provocativa do que no passado – prosseguiu ele, acrescentando que foi o quarto incidente desse tipo desde novembro.

BIDEN
Não ficou claro se os exercícios foram planejados para coincidir com a primeira viagem de Biden como presidente à Ásia, onde visitou os aliados Coreia do Sul e Japão, e na terça se juntou aos líderes democráticos do Japão, Índia e Austrália para seu segundo encontro presencial.

Biden enfatizou durante a viagem, destinada em parte a combater a crescente influência da China na região, que os Estados Unidos estarão com seus aliados e parceiros para pressionar por uma região do Indo-Pacífico livre e aberta.

Um dia depois de declarar que seu país defenderia a ilha de Taiwan em caso de invasão da China, Biden afirmou nesta terça que a política dos EUA de “ambiguidade estratégica” permanece inalterada.

– Não. A política não mudou em nada. Eu disse ontem quando fiz minha declaração – respondeu Biden ao ser questionado por jornalistas se a política havia sido suprimida.

Funcionários do alto escalão do governo americano também explicaram na última segunda (23) que a política de Washington para Taiwan não foi alterada. A política consiste em fornecer armas à ilha pretendida por Pequim, ao mesmo tempo que reconhece a soberania legal da China e expressa uma “ambiguidade estratégica” sobre se as tropas americanas atuariam em um conflito.

Ainda na segunda, ao ser questionado se Washington se envolveria militarmente na defesa de Taiwan, Biden respondeu “sim”. Taiwan celebrou a resposta, enquanto Pequim reagiu com irritação e advertiu que Washington estava “brincando com fogo”.

*AE

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