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Morre presidente da Tanzânia, famoso por orar contra a Covid

Governo informou que a causa da morte foram problemas cardíacos

Pleno.News - 21/03/2021 13h57 | atualizado em 21/03/2021 14h00

Ex-presidente da Tanzânia, John Magufuli, morre aos 61 anos Foto: EFE/Daniel Irungu

O presidente da Tanzânia, John Magufuli, que ficou conhecido por pregar a importância da oração contra a pandemia da Covid-19, morreu aos 61 anos. Sua morte foi anunciada na TV pela vice-presidente do país, Samia Suluhu Hassan, após uma ausência de mais de duas semanas da vida pública, que levou a especulações sobre a saúde dele. Ela disse que ele morreu por causa de um “problema cardíaco”.

Magufuli não era visto em público desde 27 de fevereiro, gerando rumores de que ele havia contraído Covid-19. As autoridades negaram em 12 de março que ele tivesse adoecido. Ele foi o primeiro presidente da Tanzânia a morrer durante o mandato.

– Caros tanzanianos, é triste anunciar que hoje, 17 de março de 2021, por volta das 18h, perdemos nosso bravo líder, o presidente John Magufuli, que morreu de doença cardíaca no hospital Mzena em Dar es Salaam, onde estava recebendo tratamento – disse a vice-presidente em transmissão da emissora estatal TBC.

Ela disse que os preparativos para o funeral estavam em andamento e anunciou 14 dias de luto e hasteamento de bandeiras a meio mastro. O primeiro-ministro Kassim Majaliwa disse na sexta-feira (19) que havia falado com Magufuli e culpou alguns tanzanianos “odiosos” que viviam no exterior pela narrativa da doença do presidente.

Tundu Lissu, o principal rival de Magufuli nas eleições de outubro, nas quais o presidente ganhou um segundo mandato de cinco anos, sugeriu que o líder da Tanzânia foi levado de avião para o Quênia para tratamento contra a Covid-19 e depois transferido para a Índia em coma. Lissu vive exilado na Bélgica.

De acordo com a Constituição da Tanzânia, a vice-presidente Hassan, de 61 anos, deve assumir a presidência pelo restante do mandato. Ela se tornará a primeira mulher presidente de uma nação da África Oriental. Nascida no arquipélago semi-autônomo de Zanzibar, Hassan estudou economia no Reino Unido, trabalhou para o Programa Mundial de Alimentos da ONU (FAO) e depois ocupou vários cargos no governo antes de se tornar a primeira mulher vice-presidente da Tanzânia em 2015.

Hassan disse que Magufuli foi internado em 6 de março no Jakaya Kikwete Cardiac Institute por problemas cardíacos e teve alta no dia seguinte. Uma semana depois, ele se sentiu mal e foi levado às pressas para o hospital de Mzena, onde estava recebendo tratamento sob supervisão de médicos do instituto cardíaco.

DECLARAÇÕES POLÊMICAS
Apelidado de “escavadeira” por sua reputação de promover políticas apesar da oposição, Magufuli frustrou a Organização Mundial da Saúde (OMS) durante a pandemia por minimizar a ameaça do coronavírus, dizendo que “Deus e inalação” protegeriam os tanzanianos.

O ex-professor de química questionou testes de coronavírus, e duvidou da eficácia da vacinas, chegando a dizer que ela fazia parte de uma conspiração ocidental para tirar a riqueza da África. Magufuli também desacreditou do uso de máscaras e do distanciamento social como forma de prevenir a Covid-19.

Ele foi reeleito para um segundo mandato em 2020, ganhando 84% dos votos em uma eleição que a oposição disse ter sido marcada por irregularidades e cujos resultados rejeitou.

*Estadão com agências internacionais

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