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Mohammad Abbas Stanekzai criticou governo

Pleno.News - 20/01/2025 13h23 | atualizado em 20/01/2025 15h25

Mulheres caminham pelas ruas no Afeganistão Foto: EFE/EPA/QUDRATULLAH RAZWAN

O vice-ministro das Relações Exteriores do governo de fato do Afeganistão, Mohammad Abbas Stanekzai, do Talibã, pediu o fim do veto à educação das mulheres. Ele fez uma crítica pública incomum ao regime fundamentalista.

– Estamos sendo injustos com 20 milhões de pessoas do nosso povo. (…) Não há herança, não há direito de escolher um marido, elas são abandonadas em disputas tribais, não têm permissão para estudar, ir a mesquitas ou acessar escolas e universidades, e até mesmo as madrassas estão fechadas para elas – declarou Stanekzai.

Ele deu declarações em um evento na província oriental de Khost, no último sábado (18), segundo informou, nesta segunda-feira (20), a imprensa afegã.

O chanceler do Talibã pediu a seus colegas de governo que “abram as portas do conhecimento” novamente para as mulheres afegãs, cujo acesso ao ensino superior foi restrito desde que os fundamentalistas chegaram ao poder em agosto de 2021.

Posteriormente, a proibição foi estendida ao ensino médio, impedindo-as de estudar além da sexta série.

Stanekzai enfatizou que as restrições impostas pelo regime Talibã são baseadas em “desejos pessoais e não na Sharia [lei islâmica]”, desafiando diretamente a justificativa religiosa usada pelas seções mais conservadoras do movimento.

Essas declarações foram um endosso para ativistas afegãos como Naheed Noori, que as descreveu como “louváveis” ao ser ouvido pela Agência EFE e lamentou o silêncio que prevalece entre o restante da liderança do Talibã.

Essa não é a primeira vez que o vice-ministro das Relações Exteriores critica o veto à educação das mulheres afegãs. Em dezembro de 2023, ele questionou a proibição durante outro evento em Cabul, capital do Afeganistão.

A posição de Stanekzai, mais uma vez, destaca as diferenças dentro do regime talibã, que até agora não conseguiu obter o reconhecimento oficial de nenhum país.

O governo do Talibã tem dois campos com visões conflitantes sobre várias questões, como o veto à educação feminina.

Enquanto aqueles que são leais ao líder supremo, Mullah Haibatullah Akhundzada, favorecem a mão de ferro do regime sob uma interpretação rigorosa da lei Sharia, outro grupo de líderes mais próximos da rede Haqqani defende uma abordagem mais pragmática que permite a aproximação com a comunidade internacional.

O veto à educação secundária e universitária é uma das várias restrições impostas às mulheres afegãs, que também incluem a obrigatoriedade de cobrir o rosto, a segregação de gênero e a necessidade de um acompanhante masculino para viagens longas.

*Com informações da Agência EFE

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