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Trump evita dizer se considera usar a força na Groenlândia

Presidente americano declarou, em entrevista para TV americana, que não comentaria decisão

Paulo Moura - 19/01/2026 15h22 | atualizado em 19/01/2026 17h46

Donald Trump, presidente dos EUA Foto: EFE/EPA/JIM LO SCALZO / POOL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou-se a esclarecer, nesta segunda-feira (19), se ainda considera o uso da força para tomar a Groenlândia, pouco depois de advertir, em uma carta ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, que “já não sente a obrigação de pensar unicamente na paz” após não ter sido contemplado com o Prêmio Nobel.

– Sem comentários – disse Trump, em uma entrevista por telefone à emissora NBC News.

O presidente americano defendeu sua intenção de anexar o território autônomo dinamarquês poucos dias após ameaçar com uma tarifa de 10%, a partir de 1° de fevereiro, os produtos de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia enviados aos EUA por se oporem aos seus planos.

A taxação, que afetaria aliados de Washington na Otan, será ampliada para 25% a partir de 1º de junho de 2026, e será “exigível e pagável até que se alcance um acordo para a compra completa e total da Groenlândia”. Questionado se seguirá adiante com seus planos tarifários caso não se chegue a um acordo antes, Trump afirmou: “Sim, 100%”.

O republicano atacou os líderes europeus que se opuseram aos seus planos expansionistas que, segundo ele, são necessários para proteger a segurança dos EUA diante de ameaças externas.

– A Europa deveria focar na guerra entre Rússia e Ucrânia porque, francamente, já se vê o que isso lhes trouxe. É nisso que a Europa deveria focar, não na Groenlândia – afirmou.

O primeiro-ministro norueguês e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, enviaram uma carta a Trump para explicar “sua posição sobre o aumento das tarifas” e assinalar a “necessidade de desescalar a troca de palavras”.

Foi então que o americano advertiu o norueguês que, como seu país “decidiu não lhe conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter parado oito guerras, ou mais”, já não sente “a obrigação de pensar unicamente na paz”.

– Embora ela sempre seja predominante, agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos – escreveu Trump em uma mensagem revelada pelo correspondente da rede PBS News, Nick Schifrin.

Apesar de o primeiro-ministro ter defendido que a decisão de outorgar o prêmio à líder opositora venezuelana María Corina Machado depende do “Comitê Nobel independente e não do governo norueguês”, Trump rejeitou o argumento.

– A Noruega o controla totalmente, apesar do que digam. Eles gostam de dizer que não têm nada a ver com isso, mas têm muito a ver – completou.

*EFE

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