Trump demite operador de TP por apostar em seus discursos
Gabriel Pérez faturou mais de R$ 500 mil
Pleno.News - 17/07/2026 15h12 | atualizado em 17/07/2026 15h31

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu seu operador de teleprompter, Gabriel Pérez, após vir à tona que ele teria ganhado quase 100 mil dólares (cerca de R$ 510 mil) apostando ilegalmente na plataforma de previsão Kalshi sobre as palavras ditas pelo mandatário em seus discursos.
Pérez, assistente técnico de Trump desde 2016, teria faturado milhares de dólares apostando em mais de 12 discursos do líder republicano na Kalshi.
O fato foi confirmado por investigadores da Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC), conforme informaram nesta quinta-feira (16) fontes próximas ao caso à rede de televisão americana ABC News.
Segundo as fontes, a Kalshi alertou o órgão regulador dos mercados de derivativos financeiros sobre as apostas irregulares em sua plataforma, na qual os usuários podem apostar em palavras, frases ou temas que podem aparecer em discursos públicos.
Em nota, o chefe do departamento de conformidade regulatória da Kalshi, Robert DeNault, afirmou:
– Nossa equipe de vigilância detectou rapidamente essas operações e as encaminhou à CFTC após uma investigação da bolsa. Temos colaborado com os reguladores neste assunto e fornecido as provas que coletamos, como fazemos em qualquer caso.
A Casa Branca anunciou nesta quinta (16) a suspensão do cargo público e do salário do funcionário durante o andamento das investigações.
De acordo com um relatório emitido pelo Congresso, Pérez recebia um salário de 175 mil dólares (cerca de R$ 890 mil), sendo um dos membros da equipe da presidência mais bem pagos sob o título oficial de “assistente adjunto do presidente e assessor técnico”.
Fontes próximas ao caso confirmaram à ABC News que Pérez teria se reunido nos últimos meses com os reguladores e admitido algumas de suas apostas.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ressaltou que Trump considera o ocorrido uma “vergonha”.
Segundo acrescentou o também secretário de imprensa Davis Ingle, que não tem conhecimento de que outros membros da equipe tenham feito tais apostas, “a Casa Branca tem diretrizes éticas muito rígidas que dizem explicitamente que não se pode fazer isso”.
No entanto, esta não é a primeira vez que surgem suspeitas sobre o uso de informações privilegiadas para benefício próprio em plataformas como a Kalshi ou sua rival Polymarket.
As suspeitas começaram dias antes do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, com a aposta de um usuário anônimo na Polymarket que ganhou mais de 400 mil euros (cerca de R$ 2,3 milhões) ao prever que a incursão seria iminente.
As investigações sobre esse fato resultaram na prisão do sargento Gannon Ken Van Dyke, que havia participado da mobilização em Caracas no dia 3 de janeiro para prender Nicolás Maduro.
Em março deste ano, a Casa Branca emitiu um memorando interno alertando sua equipe para não utilizar informações privadas em apostas ou mercados de previsão.
*EFE
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