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Gabriela Doria - 22/09/2021 10h07 | atualizado em 22/09/2021 10h39

Ministro das Relações Exteriores do Talibã no Afeganistão, Amir Khan Muttaqi Foto: EFE/EPA/Stringer

Em busca de legitimidade internacional, o Talibã nomeou seu porta-voz baseado em Doha, Suhail Shaheen, como embaixador do Afeganistão na Organização das Nações Unidas (ONU) e pediu espaço para um discurso de seu chanceler, Amir Khan Muttaqi, durante a Assembleia Geral, que vai até segunda-feira (27).

O ministro das Relações Exteriores do governo do Talibã, Amir Khan Muttaqi, fez o pedido em uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, na segunda-feira (20).

Muttaqi pediu para falar durante a reunião anual da Assembleia Geral. O porta-voz do português, Farhan Haq, confirmou o recebimento da correspondência.

A iniciativa do grupo extremista, que retomou o poder após a retirada das tropas ocidentais do Afeganistão, é mais um passo em busca de legitimidade internacional – que, por sua vez, auxiliaria na ampliação da ajuda humanitária e na obtenção fundos em reservas internacionais para reativar a economia afegã.

Da primeira vez em que governou o país, de 1996 a 2001, o Talibã tinha reconhecimento oficial apenas do Paquistão, dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita.

CONFLITO DIPLOMÁTICO
O movimento estabelece um conflito com o atual representante do país na ONU, Ghulam Isaczai, nomeado pelo governo de Ashraf Ghani. O ex-presidente derrubado pelo Talibã se refugiou em Abu Dhabi no dia da reconquista da capital, Cabul. A mensagem do Talibã diz que a missão de Isczai foi “considerada encerrada”.

Guterres disse que o desejo do Talibã de reconhecimento internacional é a única alavanca que outros países têm para pressionar o grupo por um governo inclusivo e que respeite os direitos humanos, especialmente das mulheres, no Afeganistão.

Até que uma decisão seja tomada pelo comitê, Isaczai permanecerá na cadeira, de acordo com as regras da Assembleia Geral. Ele deverá discursar no último dia da reunião, em 27 de setembro, mas não ficou claro se algum país poderia objetar após a carta do Talibã.

O comitê tradicionalmente se reúne em outubro ou novembro para avaliar as credenciais de todos os membros da ONU, antes de enviar um relatório para aprovação da Assembleia Geral antes do final do ano. O comitê e a Assembleia Geral em geral operam por consenso em relação às credenciais, segundo disseram diplomatas.

*AE

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