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Talibã obriga mulheres afegãs a cobrir rosto e corpo em público

Caso o código seja descumprido, parentes do gênero masculino sofrerão consequências

Pleno.News - 07/05/2022 21h00 | atualizado em 07/05/2022 21h05

Talibã tomou o poder no Afeganistão Foto: EFE/EPA/STRINGER

Os governantes do Talibã, no Afeganistão, ordenaram que todas as mulheres no país passem a usar roupas que cubram o corpo da cabeça aos pés, deixando apenas os olhos à mostra. Caso o código seja descumprido, parentes do gênero masculino sofrerão consequências que podem ir desde intimação até audiências judiciais e prisão.

– O chadori (vestimenta que cobre o corpo todo) faz parte de nossa tradição e é respeitoso. Aquelas mulheres que não são muito velhas ou jovens devem cobrir o rosto, exceto os olhos – disse Shir Mohammad, funcionário do Ministério de Virtude em comunicado.

A Missão de Assistência da Organização das Nações Unidas (ONU) no Afeganistão disse estar profundamente preocupada com o que parece ser uma diretriz formal para a população e afirmou que buscará esclarecimentos.

– Esta decisão contradiz inúmeras garantias sobre respeito e proteção de todos os direitos humanos dos afegãos, incluindo os de mulheres e meninas, que foram fornecidas à comunidade internacional por representantes do Talibã durante discussões e negociações na última década – afirmou, em comunicado.

O Talibã já havia decidido não reabrir as escolas para meninas acima da 6ª série, renegando uma promessa anterior. O decreto, contudo, não tem amplo apoio entre uma liderança dividida. A decisão também interrompe os esforços do Talibã para obter o reconhecimento de potenciais doadores internacionais em meio a uma crise humanitária que se agrava no país.

O Talibã foi deposto em 2001 por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos por abrigar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e voltou ao poder após a saída controversa das forças militares norte-americanas do país em 2021. Desde que assumiu o poder em agosto passado, a liderança do Talibã tem brigado entre si enquanto tenta fazer a transição da guerra para o governo.

*AE com agências internacionais

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