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Bangladesh: Ex-premiê Sheikh Hasina é condenada à morte

Hasina foi deposta em agosto do ano passado

Pleno.News - 17/11/2025 14h52 | atualizado em 17/11/2025 15h46

Sheikh Hasina foi condenada à morte Foto: EFE/EPA/HARISH TYAGI

A Justiça de Bangladesh condenou nesta segunda-feira (17) a ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, de 78 anos, à morte por crimes contra a humanidade relacionados ao levante popular do ano passado, que matou centenas de pessoas e pôs fim aos seus 15 anos de governo.

– Todos os elementos (…) constitutivos de um crime contra a humanidade estão reunidos. Decidimos impor uma única pena, a pena de morte – declarou o juiz do tribunal de Dacca, Golam Mortuza Mozumder.

O tribunal também condenou o ex-ministro do Interior, Asaduzzaman Khan, à morte no caso, enquanto um terceiro suspeito – um ex-chefe de polícia – foi condenado a cinco anos de prisão por ter se tornado testemunha do Estado contra Sheikh e se declarado culpado.

A deliberação do tribunal na capital, Daca, foi transmitida ao vivo. O governo interino reforçou a segurança antes do veredicto, com guardas de fronteira paramilitares e policiais destacados em Daca e em muitas outras partes do país.

O partido Awami League, da ex-primeira-ministra de Bangladesh, convocou uma paralisação nacional em protesto contra o veredicto. Sheikh e Khan, que estavam exilados na Índia, foram julgados à revelia. Tanto ela quanto seu partido chamaram o tribunal de “tribunal de fachada” e denunciaram a nomeação de um advogado pelo Estado para representá-la.

Ela e Khan enfrentaram acusações de crimes contra a humanidade pelo assassinato de centenas de pessoas durante uma revolta estudantil em julho e agosto de 2024. Um relatório das Nações Unidas, divulgado em fevereiro, afirmou que até 1,4 mil pessoas podem ter sido mortas na violência, enquanto o conselheiro de saúde do governo interino disse que mais de 800 pessoas morreram e cerca de 14 mil ficaram feridas.

Na semana passada, o tribunal havia marcado a divulgação do veredicto para esta segunda, visto que relatos de explosões de bombas caseiras e incêndios criminosos levaram à interrupção das aulas e do transporte em todo o país, após o “bloqueio” decretado pelo partido de Sheikh.

Antes da decisão do tribunal nesta segunda, o antigo partido governante convocou novamente a paralisação, com Sheikh, numa mensagem de áudio, a instar os seus apoiadores a não ficarem “nervosos com o veredito”. A decisão foi proferida após relatos da mídia local sobre novas explosões de bombas caseiras em Daca, incluindo uma em frente à casa de um assessor, equivalente a um ministro de Estado.

Sheikh foi deposta em 5 de agosto do ano passado e fugiu para a Índia. O laureado com o Prêmio Nobel da Paz, o bengali Muhammad Yunus, assumiu a chefia de um governo interino três dias após sua queda. Yunus prometeu punir Hasina e proibiu as atividades de seu partido, a Liga Awami.

Yunus afirmou que seu governo interino realizará as próximas eleições em fevereiro e que o partido de Sheikh não terá a chance de concorrer à eleição. A política de Bangladesh sob o governo de Yunus permanece em uma encruzilhada, com poucos sinais de estabilidade.

*AE

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