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Medida é uma nova rodada de sanções financeiras destinadas a "responsabilizar a Rússia"

Monique Mello - 26/02/2022 22h01 | atualizado em 26/02/2022 22h33

Presidente da Rússia, Vladimir Putin
Presidente da Rússia, Vladimir Putin Foto: EFE/EPA/ALEXEI NIKOLSKY /SPUTNIK/ KREMLIN POOL MANDATORY CREDIT

Os Estados Unidos, o Canadá a União Europeia e o Reino Unido concordaram neste sábado (26) em bloquear bancos russos “selecionados” do sistema global de mensagens financeiras Swift e impor “medidas restritivas” ao Banco Central da Rússia em retaliação à invasão da Ucrânia.

As medidas foram anunciadas conjuntamente como parte de uma nova rodada de sanções financeiras destinadas a “responsabilizar a Rússia e garantir coletivamente que esta guerra seja um fracasso estratégico para [o presidente russo Vladimir] Putin”. As restrições ao banco Central visam US$ 600 bilhões (mais de R$ 1 trilhão) em reservas que o Kremlin tem à sua disposição.

– Isso garantirá que esses bancos sejam desconectados do sistema financeiro internacional e prejudiquem sua capacidade de operar globalmente – escreveram as nações em comunicado conjunto divulgado pela Casa Branca.

O Swift (abreviação de Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é uma rede de comunicações que conecta bancos em todo o mundo. O consórcio com sede na Bélgica liga mais de 11 000 instituições financeiras que operam em mais de 200 países e territórios, atuando como um centro crítico que permite pagamentos internacionais.

Porém, por se tratar de uma abordagem direcionada, ou seja, não implica toda a Rússia como deseja a Ucrânia, significa que o país, pelo menos por enquanto, ainda poderá colher receitas de suas vendas de gás para a Alemanha, Itália e outras potências europeias.

Até o início dos ataques militares russos na semana passada, a Alemanha e a Itália se opuseram à proibição geral de transações com a Rússia, que cortaria cerca de 40% da receita do governo russo. Mas nos últimos dias, sua postura começou a mudar.

Aliados de ambos os lados do Atlântico também consideraram a opção Swift em 2014, quando a Rússia invadiu e anexou a Crimeia e apoiou forças separatistas no leste da Ucrânia. A Rússia declarou então que expulsá-la do sistema seria equivalente a uma declaração de guerra.

Os aliados – criticados desde então por responderem muito fracamente à agressão da Rússia em 2014 – arquivaram a ideia. Desde então, a Rússia tentou desenvolver seu próprio sistema de transferências financeiras, com sucesso limitado.

Autoridades europeias disseram que estiveram em longas, e às vezes tensas, discussões com autoridades americanas e britânicas, que pressionavam por um corte assim que a invasão russa da Ucrânia começasse.

Mas até mesmo algumas autoridades americanas tinham reservas em cortar completamente a Rússia. Entre outras preocupações, eles temiam que isso pudesse fortalecer as alternativas ao sistema Swift que a Rússia e a China vêm desenvolvendo. Isso poderia, com o tempo, corroer a capacidade dos Estados Unidos de rastrear e controlar pagamentos.

Durante semanas, o governo Biden minimizou publicamente a ideia de cortar a Rússia do sistema, sugerindo que, embora todas as opções estejam na mesa, tal movimento poderia criar mais problemas do que resolveria.

Mas nos bastidores, autoridades americanas pressionavam os aliados europeus para dar algum tipo de indicação ao presidente Putin de que a Europa estava se movendo em direção a um maior isolamento econômico da Rússia, parte de uma política de contenção maior.

Na última sexta-feira (25), a União Europeia votou um novo pacote de sanções, que mirou diretamente o presidente russo e seu chanceler Serguei Lavrov, mas havia deixado de fora a exclusão do Swift.

*AE com agências internacionais

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