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Pequim mantém posição neutra sobre a guerra na Ucrânia

Pleno.News - 16/05/2026 13h23 | atualizado em 19/05/2026 11h59

Vladimir Putin e Xi Jinping Foto: Zipi/EFE

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fará uma visita oficial à China nos dias 19 e 20 de maio, poucos dias após a passagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por Pequim. Segundo anúncio do Kremlin neste sábado (16), Putin deve se reunir com o líder chinês, Xi Jinping, para discutir o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países e temas internacionais considerados prioritários.

A viagem ocorre em meio à tentativa de Pequim de ampliar sua influência diplomática em um cenário marcado pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além da disputa geopolítica crescente entre China e EUA. O Kremlin informou que o encontro também marcará os 25 anos do Tratado de Amizade Sino-Russo, assinado em 2001.

Segundo Moscou, Putin e Xi discutirão cooperação econômica e comercial, além de “questões internacionais e regionais importantes”. Também está prevista uma reunião entre o presidente russo e o primeiro-ministro chinês, Li Qiang.

O anúncio da visita acontece menos de 24 horas após Trump encerrar sua viagem de Estado à China, durante a qual anunciou acordos comerciais “fantásticos” com Pequim e afirmou que os dois países buscarão uma relação de “estabilidade estratégica construtiva”. Entre os anúncios feitos pelo presidente americano está um compromisso preliminar para a compra de 200 aeronaves da Boeing pela China.

Apesar da aproximação recente entre Washington e Pequim, a relação entre China e Rússia segue sendo considerada prioritária pelos dois governos. Nos últimos anos, os laços entre Moscou e Pequim se aprofundaram, especialmente após a invasão russa da Ucrânia, em 2022, que ampliou o isolamento internacional da Rússia e aumentou sua dependência econômica da China diante das sanções impostas pelo Ocidente.

A China afirma manter posição neutra sobre a guerra na Ucrânia e diz defender negociações de paz e respeito à integridade territorial dos países. Pequim, porém, nunca condenou publicamente a ofensiva militar russa e segue sendo um dos principais compradores de petróleo e combustíveis russos, fator visto por governos ocidentais como importante para sustentar a economia de guerra de Moscou.

Antes da visita de Trump à China, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, havia pedido ao líder americano que discutisse com Xi formas de pressionar Moscou a encerrar a ofensiva militar.

O anúncio da viagem de Putin ocorre em um momento de impasse diplomático no conflito. Uma breve trégua negociada com mediação de Trump interrompeu temporariamente ataques de longa distância entre Rússia e Ucrânia, mas os bombardeios foram retomados após o fim do acordo no início da semana.

Neste sábado, autoridades ucranianas informaram que a Rússia lançou uma nova onda de ataques com drones contra a região de Odessa, no sul do país. Segundo a Força Aérea da Ucrânia, 269 dos 294 drones lançados durante a madrugada foram interceptados. Moscou, por sua vez, afirmou ter derrubado 138 drones ucranianos em diferentes regiões russas, incluindo Moscou.

Também neste sábado, Kiev anunciou a repatriação de 528 corpos que, segundo autoridades russas, podem pertencer a militares ucranianos mortos em combate. A medida ocorre após Rússia e Ucrânia realizarem, na sexta-feira (15), uma troca de 205 prisioneiros de guerra de cada lado, considerada a primeira etapa de um acordo mais amplo para libertação de mil detidos por país.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que Moscou vê de forma positiva o diálogo recente entre China e Estados Unidos, mas destacou que a parceria sino-russa possui caráter “mais profundo e sólido” do que alianças políticas e militares tradicionais.

*AE

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