Premiê do Japão dissolve Câmara e vai convocar novas eleições
Governo de Sanae Takaichi desfruta de um alto índice de aprovação e pode aproveitar momento no pleito
Pleno.News - 19/01/2026 09h30 | atualizado em 19/01/2026 10h30

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou nesta segunda-feira (19) sua decisão de dissolver a Câmara Baixa do Parlamento a partir da próxima sexta-feira (23), após o que convocará eleições gerais antecipadas para o dia 8 de fevereiro, tal como haviam antecipado políticos e a imprensa do país.
Em entrevista coletiva, Takaichi afirmou que se trata de uma “decisão muito difícil” e destacou que seu próprio futuro como chefe de governo está em jogo.
– Gostaria que o povo decida diretamente se pode confiar a gestão do país a Sanae Takaichi – declarou a primeira-ministra, que chegou ao poder após vencer as primárias do governante Partido Liberal Democrata (PLD) em outubro do ano passado, motivadas pela renúncia de seu antecessor, Shigeru Ishiba.
Na semana passada, a imprensa japonesa já havia antecipado a intenção da líder conservadora – a primeira mulher à frente de um governo japonês – de convocar eleições antecipadas para o início de fevereiro para aproveitar os altos índices de popularidade de seu novo Executivo.
Seu parceiro de coalizão, o Partido da Inovação do Japão (Ishin), também confirmou a intenção de Takaichi de dissolver a Câmara em 23 de janeiro, coincidindo com o início da sessão ordinária da Dieta, o Parlamento japonês.
Takaichi aproveitou a coletiva desta segunda para adiantar suas prioridades políticas e defendeu que os objetivos mais ambiciosos de seu acordo de coalizão com o Ishin serão implementados ao longo de 2026, caso recebam apoio suficiente nas urnas.
O governo de Takaichi desfruta de um alto índice de aprovação, de até 62%, segundo uma sondagem divulgada na semana passada pela emissora pública NHK, que se manteve relativamente estável desde que assumiu o poder.
O PLD e seus parceiros, no entanto, contam com uma estreita maioria de apenas um assento na Câmara Baixa, a mais importante das duas que compõem a Dieta, e estão em minoria na Câmara Alta, devido a uma série de maus resultados eleitorais sob a direção de Ishiba.
O plano de convocar eleições antecipadas foi recebido com críticas pelos partidos da oposição, que consideram que a medida poderia atrasar a aprovação do orçamento inicial para o ano fiscal de 2026, que começa em abril, em um contexto de inflação e estagnação dos salários.
Em resposta aos planos de Takaichi, a maior legenda da oposição do Japão, o Partido Democrático Constitucional (PDC), e o budista Komeito, antigo parceiro de coalizão do PLD, concordaram em criar um novo partido de centro.
*EFE
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