Pentágono envia tropas para treinar no Panamá; vídeo
Registro ocorre pela primeira vez em décadas
Pleno.News - 10/11/2025 23h02 | atualizado em 11/11/2025 13h32

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos teria começado a enviar forças terrestres para realizar treinamentos na selva do Panamá, pela primeira vez em décadas, segundo informou, nesta segunda-feira (10), a rede de televisão ABC.
De acordo com um funcionário do Pentágono, os EUA enviaram militares e fuzileiros navais americanos para participarem de um programa de treinamento na base aeronaval Cristóvão Colombo. Embora seja de alcance relativamente pequeno, esse programa deve se intensificar em 2026.
O curso, que começou no início deste ano, não tem como objetivo preparar as tropas para uma possível missão na Venezuela, esclareceu o funcionário à ABC.
Esta seria a primeira vez em mais de duas décadas que as Forças Armadas americanas enviam tropas convencionais para um treinamento na selva panamenha.
O Comando Sul dos EUA já havia informado, em 4 de novembro, sobre treinamentos conjuntos entre tropas americanas e panamenhas com foco em preparar os homens “para sobreviver e prosperar em ambientes selvagens”.
O movimento coincide com o amplo destacamento militar dos EUA no Caribe e no Pacífico, perto dos litorais de Venezuela e Colômbia, como parte de uma campanha contra o narcotráfico que resultou em cerca de 20 ataques a barcos que supostamente transportavam drogas e na morte de mais de 70 “narcoterroristas”, de acordo com Washington.
O renovado interesse dos EUA no Panamá provavelmente responde a razões práticas, embora também possa ser usado para enviar uma mensagem à região, de acordo com Steve Ganyard, coronel da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA.
– Do ponto de vista prático, é mais fácil chegar ao Panamá do que a Okinawa. E as selvas da América Central e da América do Sul apresentam seus próprios desafios. Dito isso, sem dúvida está sendo enviada uma mensagem a [o presidente venezuelano Nicolás] Maduro ao realizar treinamentos de combate em seu território – afirmou Ganyard à ABC.
Pouco depois de seu retorno à Casa Branca, em janeiro, o presidente americano, Donald Trump, mostrou interesse pela América Latina e até expressou a intenção de recuperar o controle sobre o Canal do Panamá, supostamente para contrariar o que chamou de “influência maligna” da China na passagem interoceânica.
Mais recentemente, Trump acentuou sua retórica contra Maduro e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusando-os de liderar redes de narcotráfico, algo que ambos negaram.
Depois de protagonizar divergências públicas sobre o Canal do Panamá, Trump enviou no início de novembro uma carta ao presidente panamenho, José Raúl Mulino, na qual classificou o país centro-americano como um “amigo firme e um valioso aliado” de Washington.
Nesse contexto, foram assinados acordos em matéria de segurança que previam uma maior presença militar americana temporária e rotativa no Panamá como parte da cooperação bilateral para a defesa do canal.
Vários setores panamenhos classificaram os acordos uma violação da soberania e do Tratado de Neutralidade que rege a via navegável, algo negado categoricamente pelo governo de Mulino.
*Com informações da Agência EFE
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