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O que está acontecendo em Cuba: Entenda os protestos

Manifestações surgiram em meio a uma grave crise econômica e de saúde

Pleno.News - 12/07/2021 20h07 | atualizado em 12/07/2021 20h41

Cuba registrou, neste domingo (11), protestos de rua em várias cidades, no que vem sendo considerada a maior demonstração de insatisfação ao regime comunista, em território cubano.

As manifestações ocorrem em meio a um cenário de crise econômica e sanitária no país, agravada pela pandemia do novo coronavírus. O governo liderado pelo presidente Miguel Díaz-Canel, alega que crise no país é provocada pelos embargos econômicos dos Estados Unidos.

Representantes da comunidade internacional se dividiram nas reações aos protestos. Nesta segunda-feira (12), EUA, União Europeia e ONU pediram respeito ao direito de manifestação do povo cubano após o governo reprimir os manifestantes. A Rússia pediu respeito à soberania cubana, e o México ofereceu apoio ao governo cubano para enfrentar a atual crise.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO EM CUBA?
Os protestos contra o governo ocorrem em meio a uma grave crise econômica e sanitária no país. As manifestações estão sendo consideradas a maior demonstração de descontentamento do povo cubano contra o governo ‘revolucionário’ desde a manifestação de 1994, em Havana, que ficou conhecida como “Maleconazo”.

ONDE OCORRERAM E COMO ESTÃO SENDO OS PROTESTOS?
O principal protesto foi registrado na cidade de San Antonio de los Baños, a 33 qiolômetros da capital, Havana. Mas também houve marchas nos municípios de Güira de Melena e Alquízar, ambos na Província de Artemisa. Também aconteceram manifestações em Palma Soriano, Santiago de Cuba, em alguns bairros de Havana e no Malecón.

Em San Antonio de los Baños, os manifestantes conseguiram transmitir parte do protesto ao vivo pelo Facebook, mas os vídeos foram retirados do ar.

Gritando principalmente “Pátria e vida”, título de uma canção polêmica, e também “Abaixo a ditadura!”, além de “Não temos medo”, os manifestantes, na maioria jovens, caminharam pelas ruas.

Pelas imagens compartilhadas nas redes sociais, a marcha seguia pacífica até ser interceptada por forças de segurança e partidários do governo, o que levou a violentos confrontos e prisões.

O movimento ganhou projeção com o engajamento de cantores, atores e influenciadores digitais, que compartilharam a hashtag #SOSCuba nas redes sociais. A cantora cubana Camila Cabello foi uma das que compartilhou a hashtag e comentou sobre os protestos, pedindo apoio.

 

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POR QUE AS PESSOAS ESTÃO SE MANIFESTANDO?
Os protestos eclodiram em meio a uma grave crise econômica e de saúde em Cuba, na qual a pandemia do novo coronavírus ganha força, ao mesmo tempo em que o país perde cruciais dólares vindos do setor do turismo.

Muitas pessoas não conseguem trabalhar porque restaurantes e outras empresas estão fechadas há meses. Além disso, desde o começo da pandemia, os cubanos são obrigados a esperar em longas filas para obter alimentos, uma situação que se somou a uma grave escassez de medicamentos, o que desencadeou um mal-estar social generalizado.

– As pessoas estão morrendo de fome! Nossos filhos estão morrendo de fome – gritou uma mulher durante um protesto filmado na província de Artemisa.

Quanto à pandemia, o país registrou, no domingo (11), mais um recorde de infecções por Covid-19 em 24 horas, com 6.923 novos casos e 47 mortos. A situação é especialmente tensa na província turística de Matanzas, localizada a 100 quilômetros de Havana, onde o alto número de infecções pode causar o colapso dos serviços de saúde.

O QUE O GOVERNO CUBANO DIZ SOBRE OS PROTESTOS?
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, esteve em San Antonio de los Baños no domingo (11), e se reuniu com partidários em uma praça da cidade. Ele atribuiu ao embargo dos EUA a falta de alimentos e remédios na ilha.

No fim da tarde do domingo, Díaz-Canel falou à nação pela TV e acusou os Estados Unidos de serem responsáveis pelo protesto. Ele enviou as forças especiais às ruas da capital, pediu a seus apoiadores que enfrentassem as “provocações”, e disse que seus partidários estão dispostos a defender o governo com suas vidas.

– A ordem está dada. Às ruas, revolucionários – declarou.

Nesta segunda-feira (12), Díaz-Canel voltou a acusar Washington de impor “uma política de asfixia econômica para provocar revoltas sociais no país”. Em transmissão ao vivo pela televisão e pelo rádio, o líder comunista, rodeado por vários de seus ministros, garantiu que seu governo está tentando “enfrentar e superar” as dificuldades diante das sanções dos Estados Unidos, reforçadas desde o mandato de Donald Trump.

– O que querem com essas situações? Provocar revoltas sociais, provocar mal-entendidos” entre os cubanos, mas também “a famosa mudança de regime” – falou Díaz-Canel.

O QUE DIZ A OPOSIÇÃO AO REGIME CUBANO?
Exilados cubanos manifestaram apoio aos protestos em Cuba e pediram aos Estados Unidos que liderem uma intervenção internacional para evitar que os manifestantes sejam vítimas de “um banho de sangue”.

– Chegou o dia em que o povo cubano se levantou – disse Orlando Gutiérrez, da Assembleia de Resistência Cubana, uma plataforma de organizações opositoras de dentro e fora da ilha.

Gutiérrez, que vive exilado em Miami e também preside o Diretório Democrático Cubano, destacou que, segundo suas fontes em Cuba, ocorreram protestos em mais de 15 cidades da ilha.

– Está muito claro o que o povo de Cuba quer, que termine esse regime – afirmou.

COMO A COMUNIDADE INTERNACIONAL REAGIU?
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu ao governo cubano que não use de violência contra os protestos de rua e declarou apoio aos manifestantes.

– Fazemos um chamado ao governo de Cuba para que se abstenha de violência – disse ele a repórteres.

Antes, em um comunicado divulgado à imprensa, Biden já havia pedido que as autoridades cubanas “escutassem o seu povo”.

– Nós apoiamos o povo cubano em seu claro pedido por liberdade. Os Estados Unidos chamam o regime cubano a ouvir seu povo e servir seu interesse neste momento vital, em vez de enriquecer a si mesmo.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse, nesta segunda-feira (12), que o líder cubano errou ao culpar os Estados Unidos pelos protestos.

– Seria um grave erro do regime cubano interpretar o que está acontecendo em dezenas de vilas e cidades em toda a ilha como resultado ou produto de qualquer coisa que os Estados Unidos tenham feito.

Já a ONU cobrou que as autoridades locais respeitem plenamente a liberdade de expressão e de manifestação da população.

– Estamos, simplesmente, observando o que acontece e queremos que os direitos básicos das pessoas sejam respeitados – afirmou o porta-voz da agência, Farhan Haq, em entrevista coletiva.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, instou Cuba a permitir a realização de manifestações pacíficas e a “escutar” seus participantes.

– Quero pedir ao governo que permita essas manifestações e que escute ao descontentamento dos manifestantes – disse.

A Rússia, um dos principais defensores do regime cubano desde os tempos soviéticos, alertou contra qualquer “interferência externa” na crise.

– Consideramos inaceitável qualquer ingerência externa nos assuntos internos de um Estado soberano e qualquer ação destrutiva que favoreça a desestabilização da situação na ilha – disse Maria Zakharova, porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores.

Enquanto isso, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, rejeitou a política “intervencionista” da situação em Cuba e se ofereceu para enviar ajuda humanitária.

– O México poderia “ajudar com remédios, vacinas (contra a covid-19), com o que for necessário e com alimentação, porque saúde e alimentação são direitos humanos fundamentais – disse Obrador.

*AE

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